O tradicionalista Leodi Luiz Pavi – que residiu em Teutônia por cerca de 29 anos e estimulou, através de cursos de danças e do envolvimento na criação de entidades gauchescas, o desenvolvimento do tradicionalismo no município e na região –, lançou, no mês de março, na Câmara de Vereadores e na Festa Campeira do Rio Grande do Sul (Fecars), ambas em Santa Cruz do Sul, o livro “Tordilho Negro”.
A publicação reforça que a música de Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, lançada no álbum “Teixeirinha no Cinema”, de 1966, foi composta a pedido de Antônio José Severo, que adquiriu uma propriedade na localidade de Alto Paredão, interior de Santa Cruz do Sul, no ano de 1948.
De acordo com o livro, Severo era criador de cavalos tordilhos e encomendou a Teixeirinha – quando prestigiou uma das apresentações do artista gaúcho que lotava espetáculos circenses, rodeios, festas e bailes nas décadas de 1950 e 1960 – que fizesse uma música especial falando sobre esses animais. Teixeirinha teria solicitado informações sobre as características dos cavalos e compôs a música, uma das mais conhecidas do cancioneiro gaúcho. Além de cantor e compositor, Teixeirinha, que nasceu em 3 de março de 1927, em Rolante, e faleceu em 4 de dezembro de 1985, em Porto Alegre, era radialista e cineasta. Recordista em vendas no Brasil, recebeu o apelido de Rei do Disco.
Pavi revela que investigou a alegação de Détio Pires, morador de Rio Pardo e posteriormente de Passo do Sobrado, que se autoatribuía a autoria da letra. Segundo relatos, ele teria apresentado a música em um programa de rádio de Teixeirinha. Apesar disso, a pesquisa, conduzida em fontes como a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), através do Escritório de Direitos Autorais (EDA), não encontrou evidências que comprovassem a autoria de Pires. “Inclusive, em contato com a filha e a neta de Détio Pires, não houve informações que corroborassem essa versão”, reforça o tradicionalista.
A relevância da pesquisa reside no contexto local de Santa Cruz do Sul, onde a questão despertou interesse e envolveu familiares e amigos. “A pesquisa, que contou com o apoio da família de Antônio José Severo e, em particular, de Osmar Severo (ex-deputado estadual), teve grande aceitação”, garante Pavi.
A publicação conta com oito páginas e foi distribuída gratuitamente pelo autor para cerca de 15 Regiões Tradicionalistas (RTs) do Rio Grande do Sul e CTGs de Santa Cruz do Sul e de demais municípios da 5ª RT. O financiamento da impressão dos 500 exemplares foi realizado por Osmar Severo, com patrocínio da Cabanha Belo Horizonte. No momento, não há mais livros à disposição, mas o autor estuda, junto com o autor do financiamento, uma segunda impressão.