No texto anterior falamos sobre as leis impostas pelos nobres, que determinavam como as pessoas poderiam se vestir e aplicavam multas àquelas que infringissem essas regras. Essas normas buscavam manter a ordem social e deixar claro o lugar de cada pessoa na sociedade.
Foi justamente a partir dessas limitações que surgiu algo muito significativo para a história cultural: cada região passou a criar sua própria forma de vestir, dentro do que era permitido. Assim nasceram os trajes típicos regionais, conhecidos como Trachten.
Esses trajes não surgiram por acaso nem tinham apenas função estética. Eles refletiam a vida local em todos os seus aspectos. As profissões, a cultura regional, os costumes, a religião, o clima e o cotidiano de cada cidade ou região acabavam representados no traje.
Em algumas localidades, por exemplo, as cores indicavam a religião predominante: verde para comunidades luteranas, vermelho para comunidades católicas. Em regiões onde havia muitas flores, elas apareciam bordadas nos vestidos. O que se produzia e o que se valorizava naquele lugar era transformado em detalhes do figurino.
A condição econômica também se refletia nos trajes. Regiões mais ricas utilizavam tecidos mais nobres, bordados elaborados e joias; regiões mais simples confeccionavam seus trajes com materiais mais modestos, porém igualmente cheios de significado. Cada traje era um verdadeiro retrato da realidade local.
Naquela época, cada família confeccionava seu próprio traje, respeitando os costumes e as possibilidades locais. O traje acompanhava a pessoa por toda a vida e era motivo de orgulho, identidade e pertencimento à comunidade.
São exatamente esses trajes regionais que hoje pesquisamos e utilizamos nos grupos de dança folclórica alemã, inclusive no Brasil. Atualmente, os trajes são confeccionados sob encomenda, mas o cuidado com a pesquisa e a fidelidade à origem continuam sendo fundamentais. Cada grupo busca a origem dos imigrantes de sua cidade ou região, preservando esse legado cultural que atravessou o oceano e segue vivo de geração em geração.