As vendas no varejo para a Páscoa de 2026 devem somar R$ 3,57 bilhões no Brasil, segundo estimativa divulgada na sexta-feira, 27, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Caso o resultado se confirme, haverá crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, já descontada a inflação, além de representar o maior volume já registrado para a data desde o início da série histórica, em 2005.
Apesar da perspectiva de alta nas vendas, o levantamento aponta redução nas importações de produtos tradicionais da data, como chocolate e bacalhau. O encarecimento dessas mercadorias no mercado internacional — com alta de até 37% no caso do chocolate — tem levado consumidores a optarem por itens produzidos no mercado interno.
De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a diferença de preços entre os últimos anos reforça a necessidade de ampliar acordos de comércio exterior para reduzir custos. Ele destaca que iniciativas como o acordo entre Mercosul e União Europeia podem contribuir para baratear produtos típicos da Páscoa no país. Tadros também ressalta que a data se mantém como a sexta mais relevante para o comércio nacional, com trajetória consistente de crescimento.
A cesta de produtos e serviços relacionados à Páscoa, composta por oito itens, deve registrar aumento médio de 6,2% em 2026, superando a inflação pelo terceiro ano consecutivo. O principal impacto vem do chocolate, cujo preço deve subir 14,9%, reflexo da valorização do cacau no mercado internacional. Outros itens também apresentam alta, como o bacalhau (7,7%) e a alimentação fora de casa (6,9%).
Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a queda de 11% na taxa de câmbio ao longo do último ano não foi suficiente para conter o aumento dos preços dos produtos importados, diante da elevação dos custos de produção. Ainda assim, ele avalia que o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração da inflação devem sustentar o crescimento das vendas.
Com os preços internacionais em alta, as importações de chocolate e bacalhau registraram queda de 27% e 22%, respectivamente, em relação ao ano anterior. O cenário contribui para a maior participação de produtos nacionais no consumo durante a data.
A projeção para 2026 mantém a tendência de recuperação iniciada em 2021, após o setor atingir, em 2020, o menor nível de vendas em quase uma década, em razão dos impactos da pandemia de covid-19. Desde então, a melhora nas condições de consumo e o desempenho do mercado de trabalho têm impulsionado a demanda no período de Páscoa.