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LEGADOS CULTURAIS

Vida comunitária

Opinião de Rosita Schneider, coralista e corretora de seguros

27/03/2025 | 15:03 Atualização: 27/03/2025 | 15:12

Em 2024, comemoramos 200 anos da Imigração Alemã no RS e sabemos que os imigrantes trouxeram em sua bagagem, dentre outras coisas, bíblia, cancioneiros, partituras e livros. Apesar da árdua missão de colonizar e produzir nas terras, se preocupavam muito com educação, cultura, religião e vida comunitária, construindo e desenvolvendo nos “centros” das vilas, escola e igreja.

As pessoas doavam, especialmente, sua mão de obra e habilidades para construir os centros comunitários. Também se preocupavam em ser presentes nas dificuldades de membros destas comunidades. 

Minhas memórias e reflexões levam ao quanto se valorizava a convivência em comunidade, até porque não havia muitas opções para a vida social. Nascida no final dos anos 60, fui batizada e cresci pertencendo e vivenciando convívio em comunidade, inicialmente nos encontros de culto infantil, depois ensino confirmatório, encontros de juventude, evoluir para professora de culto infantil, tocar instrumentos e cantar na Igreja, em festas comunitárias, cantar em coral, enfim, pertencer a grupos que compartilhavam seus talentos para alegrar e incentivar outras pessoas. 

As festas comunitárias eram trabalhosas, mas esperadas com muita ansiedade, com pescarias, rifas, jogos, brincadeiras com premiações (corrida de saco, bolinha ao copo, tiro ao alvo, cabo de guerra, entre outros). As crianças apareciam para pedir fichas de pescaria e jogos, ou mesmo para torcer por seus pais que competiam. Tempos de simplicidade e alegria. 

Hoje percebemos um certo esvaziamento de participação nas comunidades. Os cultos, apesar de acontecerem com mais frequência, com uma preocupação maior com sua realização (música, atividades mais interativas), têm um certo esvaziamento de participantes.

Muitas vezes, as lideranças travam muitas discussões buscando entender o que acontece, pois o conteúdo ofertado é de muita qualidade, nos remetendo a fortalecer nossa espiritualidade. 

Falando em lideranças, poucas pessoas mais jovens assumem estes papéis dentro de uma comunidade. Talvez a nossa geração tenha faltado em frequência e participação, não ofertando aos nossos filhos sentir este mesmo amor à vida comunitária, onde pessoas cuidam de pessoas.

Ou tenha se maravilhado com as diversas opções que o momento atual oferta, dentre eles, a evolução tecnológica da internet e os filmes por streaming. Na busca de respostas, talvez tenha nos faltado, por muitos anos, fazer mais perguntas. Será que não nos tornamos individualistas demais?  

Não se trata de “uma caça às bruxas”, porém,

seria muito bom que as gerações atuais e futuras compreendessem que os laços que se fortalecem na vivência comunitária nos acompanham sempre,

mesmo que não se esteja presente diariamente. Viver em comunidade, a partir da convivência e interação, desenvolve um senso de pertencimento e responsabilidade para com o próximo. Que tal fortalecermos nossas raízes e nos animarmos a dar mais importância às convivências?

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