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LEGADOS CULTURAIS

Vozes que nos unem: o canto coral como convite

Opinião de Rosita Jussara Schneider, coralista e corretora de seguros

23/02/2026 | 15:27

Há tradições que apenas sobrevivem. Outras, inspiram. O canto coral em Teutônia pertence à segunda categoria. Ele não é apenas uma herança dos imigrantes alemães que aqui chegaram; é uma expressão viva da nossa identidade, da nossa forma de conviver e de celebrar juntos.

Cantar em grupo sempre foi mais do que entoar melodias. Foi fortalecer vínculos, partilhar emoções, aprender a ouvir e a respeitar o tempo do outro. Foi transformar vozes individuais em harmonia coletiva. Não por acaso, Teutônia recebeu o título de Capital Nacional do Canto Coral — reconhecimento construído pela dedicação de muitas gerações que acreditaram na força dessa tradição. Durante anos, o município contou com 42 grupos de canto coral ativos, filiados à Associação de Coros de Teutônia (ACOTE).

A pandemia interrompeu ensaios, afastou pessoas e impactou diretamente essa vivência comunitária. Hoje, são 22 grupos ativos, que seguem cantando com perseverança e amor à música. Mas o canto coral nunca foi apenas número. Ele é encontro. É convivência. É energia compartilhada. E toda tradição que pulsa depende de novas vozes para continuar vibrando. É aqui que crianças e jovens entram como protagonistas. O coral não é algo antigo ou distante — é uma experiência intensa, envolvente e transformadora. Quem participa descobre que cantar em conjunto desperta confiança, amplia amizades e fortalece o senso de pertencimento. No coral, cada voz importa. Não há plateia: há participação.

Talvez muitos ainda não tenham experimentado o quanto essa vivência pode marcar uma trajetória. Ensaios são mais do que preparação musical; são espaços de crescimento, disciplina, superação e alegria. O repertório pode se renovar, os estilos podem dialogar com o presente, mas a essência permanece: pessoas reunidas por algo que as conecta. Por isso, o canto coral precisa de novas vozes. Precisa de crianças curiosas, de jovens dispostos a experimentar, de famílias que incentivem e valorizem essa vivência. Participar de um coral é entrar para uma história que começou há gerações — e decidir que ela continuará.

Ser Capital Nacional do Canto Coral é um título que nos orgulha, mas que só fará sentido se continuar ecoando nas próximas décadas. Aproximem-se, conheçam os grupos, assistam a um ensaio, experimentem cantar. A tradição espera por quem queira vivê-la. Porque, no futuro, quando nossos filhos e netos perguntarem quem manteve viva essa harmonia, que possamos responder com orgulho: nós fizemos parte desse coro.

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