2 de abril de 2026
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ILUSTRE CIDADÃO

“Eu escrevo pelo prazer de escrever e saber que quando alguém lê acha bacana e se identifica”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Emerson Garcia de Souza

02/04/2026 | 10:25 Atualização: 02/04/2026 | 10:26
Emerson Garcia de Souza
Emerson Garcia de Souza

Professor da rede pública de ensino e escritor, Emerson Garcia de Souza tem 42 anos. Natural de Canoas, é formado em Letras/Português – Literatura, pela PUCRS, em 2018. Pós-graduado em Educação Especial Inclusiva e Orientação Educacional pela Uniasselvi, em 2020, está na fase final do mestrado em Educação. Reside em Paverama desde 2021 e trabalha nas escolas estaduais de Ensino Médio em Paverama e em Poço das Antas. Pai de Isadora, prestes a completar 15 anos, a quem considera seu “maior tesouro”, Emerson é autor das obras “Múltiplas escolhas: construindo reflexões poéticas”, lançada em 2023, e “Perspectivas Escritas: o tecer e poetizar”, publicada em 2025. Participa das antologias “Poesia Livre 2024”, da Vivara Editora, com a poesia “Alma doente”, e “Fala, mestre”, da editora Arte da Palavra, organizado por Luís de Oliveira, com o texto “O ser professor”, direcionado exclusivamente aos educadores do país.

Como vieste a trabalhar na região?

Emerson Garcia de Souza – Foi em 2021, quando a pandemia iniciou. Estava residindo em São Sebastião do Caí e fui chamado, através de contrato emergencial, para dar início à minha vida docente na Escola Estadual de Ensino Médio Paverama. Foram aulas on-line, por plataformas, uso da máscara, enfim, todo aquele processo que o mundo inteiro atravessou.

Como despertou em ti o interesse em ser professor?

Souza – Meu interesse pela linguagem vem desde criança. Não apenas pela escrita, mas pelas artes em geral, e em tudo o que me chamava a atenção referente a obras relacionadas à natureza, às paisagens e flores. Desde criança foi assim. Me lembro perfeitamente que eu brincava com os meus irmãos de dar aula, fazia a chamada. Claro, enquanto criança eu não imaginava que isso poderia futuramente se tornar uma realidade, mas o tempo foi passando e essa paixão só aumentou. Eu via os autores, aquelas pessoas escrevendo, sendo entrevistadas, eu achava muito bacana. Depois que eu entrei para a faculdade então, essa vontade se tornou latente na minha vida. E o interesse pela poesia surgiu muito naturalmente, sem perceber. Quando eu comecei a estudar o “haikai”, aquela poesia japonesa rápida e objetiva, eu achei interessante como a gente podia escrever o que quisesse, independente do texto, que a subjetividade da poesia nos permitia criar mundos e linguagens específicas e que isso não se trata apenas de uma escrita com palavras, mas está extremamente relacionada ao cotidiano, à vida do ser humano, às reflexões, aos sentimentos e às sensações.

O que te motiva a escrever?

Souza – Eu escrevo pelo prazer de escrever e saber que quando alguém lê uma obra minha realmente acha bacana e se identifica, se vê no texto e se sente feliz. Eu fui aprimorando, buscando técnicas, conceitos, pesquisando autores, poetas, em especial os nossos brasileiros, que eu amo de paixão, como Cora Coralina, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond, Clarice Lispector e Cecília Meirelles. Essas são as minhas inspirações para as escritas. E também a questão da própria inspiração do simbolismo e do parnasianismo, que são as duas escolas literárias que trazem diretamente a poesia, essa subjetividade latente.

O que a poesia representa na tua vida e de que forma ela consegue “tocar” as pessoas?

Souza – Ela é o meu dia a dia, é a minha vida. Claro, também procuro focar em outros gêneros, tanto que eu já comecei a escrever meu terceiro livro, que vai ser uma coletânea de contos e crônicas, já que as pessoas pedem uma narrativa mais longa, com enredo e personagens específicos. Mas a poesia para mim é muito fácil. Questões como ódio, alegria, solidão, plenitude, são reflexões para analisar o cotidiano de cada indivíduo, nos seus ápices – tanto o mais alto quanto o mais baixo. A poesia permite trazer à tona, evidenciando através de uma narrativa lírica, o dia a dia, os sentimentos, as sensações, os contextos nos quais cada ser humano está imergido.

O que representa integrar a antologia “Fala, mestre”?

Souza – É a minha mais recente conquista. Eu não sei quantas inscrições foram feitas para essa antologia, mas eu me sinto muito honrado, porque a publicação foi direcionada especificamente para os educadores do Brasil, independente da sua área de atuação, para que pudessem falar de sua trajetória, do seu dia a dia na sala de aula, através de uma crônica, de um conto ou de um poema. Sou sincero em dizer que eu criei esse poema não acreditando que fosse escolhido. Foi uma escrita natural, a inspiração veio do contexto da sala de aula, cheio de percalços e dificuldades. Eu fiz esse poema em 23 minutos e ele foi selecionado. Então, eu fiquei muito honrado com o poema, que evidencia e valoriza a minha atuação como professor.

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