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ILUSTRE CIDADÃO

“A correspondência ainda hoje vem em nome de Getúlio Wallauer”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Ari Wallauer

Por: Marco Mallmann

10/04/2026 | 11:28
Ari Wallauer
Ari Wallauer

O empresário Ari Wallauer nasceu em 27 de julho de 1945, em Linha Frank. Aos 80 anos, é mais conhecido pela alcunha de “Getúlio”, desde a época da escola. Dono da rede de lojas Getúlio Máquinas, com unidades em Teutônia, Estrela, Paverama e Bom Retiro do Sul, Ari é o precursor da marca Stihl para a região, tendo conquistado a confiança da empresa de origem alemã, com fábrica em São Leopoldo, desde 1976, portanto há 50 anos. Líder comunitário e pai de Adriana, Andreia e Claus, tem passagens marcantes pela Comunidade Evangélica Martin Luther, pela Sociedade Cultural e Esportiva Esperança e pelo grupo de danças alemãs Teutotranzgruppe, do qual foi cofundador e dançarino, ao lado da esposa Clari, por 32 anos.

Como surgiu o seu apelido?

Getúlio Foi quando eu estudava na Escola Bento Gonçalves, em Boa Vista. Eu tinha 9 anos, em 1954, quando houve o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas. Na volta da escola para casa os colegas estavam comentando que tinha ocorrido isso com o Getúlio Vargas. Daí eles olharam para mim e logo disseram: “Mas nós temos o nosso Getúlio”, porque eu era gordinho e baixinho e ainda por cima gostava de usar bombacha. Eles começaram a debochar de mim e eu chorei, porque não queria ser chamado assim. Contei o ocorrido para a minha mãe e ela foi conversar com o professor no dia seguinte, pedindo para não me chamar por esse apelido, já que eu tinha um nome pequeno e bonito (Ari). E esse foi o batizado, por assim dizer. Daquele dia em diante, me tornei o Getúlio para todos. Hoje, até o e-mail particular da loja é Ari Getúlio Wallauer e a correspondência ainda hoje vem em nome de Getúlio Wallauer. Muitos nem sabem o meu nome de batismo.

Como foi o início da sua vida profissional?

Getúlio Ainda na Boa Vista, trabalhei na marcenaria do meu pai. Depois, vim para Languiru. Em 1972, abri uma oficina de bicicletas e lambretas, numa peça de cerca de 20 metros quadrados. Fui procurado pelo senhor Milton Dreyer (em memória) e me tornei o encanador de Languiru, realizando esse serviço em paralelo. Coloquei mais de 10 mil metros de canos da Associação da Água. Era um trabalho lento e braçal. Em 1974, fui convidado pelo Rudi Wallauer (em memória) para ser sócio dele na Casa 2001. Deixei a sociedade e, em 1976, para fortalecer a minha oficina, onde eu já consertava também motosserras e necessitava de peças. Como eu já conhecia o pessoal da Stihl, do tempo da Casa 2001, procurei a empresa em São Leopoldo e o seu Arthur, que não falava uma só palavra em português, dizia que não poderia me autorizar a revender motosserras, porque já havia uma na região. Eu expliquei para ele que o que eu queria era fazer consertos. Após muita conversa e explicações, eles me liberaram um pedido mínimo e eu consegui trazer peças. 

Qual a importância de ter conquistado a confiança da Stihl?

Getúlio Isso foi me trazendo um resultado muito bom, porque eu tinha a oficina, fazia assistência com garantia e possuía as peças originais. Isso trouxe evolução. Por volta de 1978, a Stihl me nomeou como revendedor da empresa no município de Estrela. Comentei com minha esposa que havíamos ganhado na loteria. No dia seguinte, peguei meu Chevette e fui para São Leopoldo, fiz o meu cadastro e efetuei a primeira compra. Quando as pessoas ficaram sabendo que em Teutônia havia revenda Stihl, em pouco tempo eu tinha vendido tudo. Em 1980, ampliei a loja para quase 200 metros. Depois, a gente foi crescendo e em 1984 eu fiz mais 400 metros, chegando a 600 metros quadrados de loja. Em 2021, passei a loja para meu filho, o Claus. 

Trabalhar com oficina de motosserras foi importante para o crescimento da empresa?

Getúlio A parte da manutenção foi o início de tudo e continua sendo hoje ainda o “braço direito” da Getúlio Máquinas. Ou seja, o cliente compra o produto e sabe onde consertar, quem tem as peças e onde está a assistência especializada. Tivemos muitas dificuldades. Em algumas oportunidades, os funcionários saíram e abriram suas próprias assistências técnicas, mas a gente não desistia, ligava para a Stihl e eles insistiam para que mandássemos um novo mecânico para que eles pudessem ensiná-lo. E assim segue ocorrendo até hoje. Os cursos são patrocinados pela Stihl. A empresa paga apenas a estadia dos funcionários. E mesmo com outras empresas importantes da região tentando ser revendedores da marca, a Stihl não abre mão. Quando eles possuem um revendedor com o qual construíram essa relação de confiança, os alemães são muito honestos e corretos. E essa parte da manutenção é um dos trunfos que tenho até hoje. Sempre me dediquei muito nessa parte. 

O que representa esses 50 anos de parceria com a Stihl?

Getúlio Para mim, representa praticamente tudo. Não tenho palavras para dizer o quanto eu lutei e me esforcei para alcançar isso, mas a Stihl também me apoiou. Não foi só eu fornecer o trabalho e a dedicação. É preciso ser muito correto com eles na compra e na venda e isso conseguimos manter ao longo de todos esses anos. Eu vesti a camiseta, honrei ela e sou respeitado dentro da Stihl, sou hoje o revendedor mais antigo. Então, essa parceria representa praticamente a minha vida, porque eu me dediquei e minha família se dedicou. 

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