Muito comuns e necessárias em períodos de colheita em lavouras ou até mesmo nas estradas das áreas rurais que conectam as propriedades, visualizamos enormes máquinas da agricultura moderna, impulsionadas por tecnologias como Inteligência Artificial, Sensores e Agricultura de Precisão, que transformam a colheita em um processo altamente automatizado e eficiente. Elas aumentaram drasticamente a produtividade, reduzindo perdas e permitindo monitoramento de dados em tempo real, como umidade e produtividade, o que otimiza a gestão e a rentabilidade do campo.
Desde a primeira colheitadeira autopropelida, a Massey-Harris 20, em 1939, até os modelos atuais, o foco mudou da simples substituição do trabalho manual para a eficiência e inteligência operacional. Hoje, as máquinas oferecem piloto automático, monitoramento digital de produtividade e ajuste automático da plataforma, o que aumenta significativamente a produtividade, reduzindo a perda de grãos e aumentando a velocidade da colheita.
Com cada vez mais tecnologia embarcada, tendo mais precisão na colheita, o Brasil aumentou a produção de grãos em mais de 300% nos últimos 20 anos, enquanto a área plantada cresceu apenas cerca de 60%, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Na região dos Vales, a presença das marcas de colheitadeiras é fortemente influenciada pela rede de concessionárias locais e pelo perfil da agricultura regional, focada na produção de soja, milho e arroz. As marcas mais comuns são a Massey Ferguson, muito tradicional e reconhecida pelo excelente pós-venda e disponibilidade de peças na região; a Case IH, uma marca muito forte entre produtores que buscam a tecnologia Axial-Flow (fluxo axial), especialmente para soja e arroz; a John Deere, que se destaca na tecnologia de precisão e é muito comum em lavouras de médio e grande porte; e a New Holland, muito popular devido à versatilidade de modelos como a linha TC, ideal para a topografia e o tamanho médio das propriedades nos vales.

Da trilhadeira para a colheitadeira
Antes da colheitadeira, no processo de colhimento de grãos existia a “trilhadeira”. Era uma máquina mais simples e, geralmente estática, que precisa ser alimentada pela acoplagem de algum motor. Tinha a função de apenas trilhar (separar o grão da palha/vagem) e limpar os grãos. Assim como ocorre atualmente, não era uma máquina muito comum nas propriedades rurais, e as poucas que existiam prestavam serviços por toda a localidade. O agricultor precisa cortar a planta no campo, manualmente ou com outra máquina, recolhê-la e levá-la até a trilhadeira para processar. E isso representava muita necessidade de mão de obra.
Já a colheitadeira combina várias funções em uma única operação contínua e motorizada, enquanto se desloca pelo campo: a plataforma corta a planta na base, leva a planta para dentro da máquina, que separa o grão da planta, separa o grão da palha miúda e armazena o produto limpo no tanque graneleiro. A máquina é autopropelida, ou seja, tem motor próprio, e utiliza tecnologia de ponta para evitar perdas durante o movimento.

Aliadas do agricultor
Em nossa região, as colheitadeiras são utilizadas nas culturas principalmente de soja, do milho, do trigo e do arroz. Pela característica de terrenos acidentados e áreas pequenas, as máquinas mais comuns são as de classes 4 e 5 (pequeno porte), em uma escala que vai de 4 a 10. São máquinas ágeis para áreas menores ideais para a agricultura familiar.

RÁPIDAS
A plataforma de corte é o implemento frontal responsável por cortar a planta no campo e levá-la para dentro da máquina para ser processada. Principais plataformas de corte:
• Rígida (Caracol) é o modelo mais simples e tradicional. Utiliza um grande parafuso sem fim (caracol de metal) para empurrar o material cortado até o centro da máquina.
• Plataforma Flexível (Flex), possui uma barra de corte articulada que consegue “copiar” as irregularidades do terreno.
• Plataforma Draper (Esteiras), possui a tecnologia mais avançada atualmente; em vez de um caracol de metal, utiliza esteiras de borracha transversais.
• Plataforma de Milho. Diferente das outras, ela não corta o caule da planta; possui “bicos” que entram entre as linhas da plantação e mecanismos que puxam o pé de milho para baixo, destacando apenas as espigas.
• Plataformas Específicas, como a de arroz, geralmente rígida, mas construída com materiais resistentes à abrasão e lama, muitas vezes usada com colheitadeiras de esteira.
• Plataforma “FlexDraper”, que une a base flexível que copia o solo com o sistema de esteiras para máxima eficiência.
