O El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e teve seu início oficializado nessa quinta-feira, 11, pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Caracterizado pelo aquecimento anormal da água do mar na região de origem, o fenômeno deve ganhar força nos próximos meses, especialmente durante a primavera, o que coloca o Rio Grande do Sul em alerta.
De acordo com o monitoramento, atualmente a chance de um episódio muito forte entre novembro, dezembro e janeiro chega a 63%, o que colocaria o evento entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950. O principal efeito para o estado é o aumento da instabilidade, uma vez que o El Niño transporta umidade e intensifica sistemas de baixa pressão, favorecendo chuvas acima da média e tempestades. Desta forma, cresce o risco de enchentes e o temor de que as situações vividas em 2023 e 2024 se repitam. Em outras partes do Brasil, o efeito é justamente o contrário. Mais calor e menos precipitações.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava, antes da confirmação oficial, tendência de chuva acima da média no Estado no trimestre de maio, junho e julho. Para as temperaturas, a projeção é de valores próximos da média histórica no curto prazo, embora o fortalecimento do El Niño ao longo do ano exija acompanhamento permanente.
A agricultura também entra em atenção, uma vez que o excesso de umidade prejudica as lavouras, amplia doenças fúngicas e dificulta o tráfego de máquinas. Culturas de inverno, como trigo e aveia, tendem a ser mais sensíveis quando a chuva frequente coincide com fases de floração, enchimento de grãos e maturação.
Apesar do alerta, especialistas reforçam que o El Niño não produz impactos iguais em todos os eventos. A intensidade do fenômeno aumenta a probabilidade de alterações no regime de chuva e temperatura, mas os efeitos dependem também de outros fatores atmosféricos e oceânicos.