Os desfiles cívicos de 7 de Setembro constituem uma das mais tradicionais manifestações da cultura escolar brasileira. Muito além da celebração da Independência do Brasil, esses eventos representam momentos de integração entre escola, comunidade e poder público, fortalecendo valores relacionados à cidadania, à identidade nacional e ao pertencimento coletivo. Ao longo das décadas, a participação de estudantes, professores e famílias consolidou os desfiles como parte significativa do calendário letivo, transformando-os em espaços de aprendizagem que extrapolam os limites da sala de aula e aproximam os conteúdos escolares da vivência comunitária.
A tradição dos desfiles cívicos começou a ganhar força no Brasil ainda no final do século XIX, após a Proclamação da República, quando o novo regime buscava fortalecer símbolos nacionais e construir um sentimento de identidade entre os brasileiros. Durante o século XX, especialmente entre as décadas de 1930 e 1970, os desfiles de 7 de Setembro foram amplamente incentivados pelo Estado como forma de promover o patriotismo e a valorização da história nacional. Nesse contexto, as escolas assumiram papel central na organização das apresentações, envolvendo bandas marciais, grupos estudantis e diferentes manifestações culturais. Assim, a preparação para o desfile passou a integrar a rotina escolar, mobilizando a comunidade escolar durante semanas, em um trabalho coletivo que desenvolvia disciplina, cooperação, responsabilidade e respeito aos símbolos nacionais.
Na Escola Estadual de Ensino Médio Gomes Freire de Andrade, do Bairro Languiru, em Teutônia, essa tradição também esteve presente durante muitos anos e marcou diferentes gerações de estudantes. A instituição participou ativamente dos desfiles cívicos, permanecendo em alguns momentos como a única escola a realizar, contribuindo para a valorização da história local e para a formação cidadã de seus alunos. Entretanto, as mudanças ocorridas nas demandas educacionais e na organização do trabalho escolar levaram ao encerramento desta atividade. A produção e confecção dos materiais para apresentações e a grande dedicação de professores e estudantes passaram a exigir um tempo cada vez maior, muitas vezes comprometendo o desenvolvimento das atividades pedagógicas previstas para o período letivo. Dessa forma, a escola optou por encerrar a realização da atividade, priorizando o tempo destinado às aulas e às demais ações educacionais desenvolvidas ao longo do ano.
Embora a Escola Estadual Gomes Freire não participe ativamente dos desfiles cívicos, a importância histórica dessa tradição permanece viva na memória da comunidade escolar. Os desfiles representaram, durante décadas, momentos de integração, convivência e valorização da nossa história, além da expectativa da comunidade escolar aguardando nas ruas a passagem do desfile. Ao mesmo tempo, a decisão de redirecionar os esforços para as atividades pedagógicas demonstra a capacidade da escola de adaptar suas práticas às necessidades, preservando seus valores e sua missão com a Educação.