Uma das principais referências brasileiras em liderança e gestão, o empresário e ex-presidente da Tramontina Clovis Tramontina foi o convidado do Almoço Empresarial da CIC Teutônia realizado nessa quinta-feira, 11. Alusivo ao Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, o evento lotou o auditório da entidade e teve como tema “Três paixões e muitos desafios”. São elas: família, os negócios e a Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF).
Neto do fundador Valentim Tramontina, que criou a empresa há 115 anos em Carlos Barbosa, Clovis presidiu-a entre 1992 e 2021 depois de uma construir uma trajetória dentro da própria organização, com passagens por diferentes setores. Para ele, ocupar um cargo de comando exige conhecimento amplo do negócio, com a conquista gradual de espaços. Afinal, “não se pode começar na diretoria”.
Trabalho, sucessão e foco nas pessoas
Aos 70 anos, pai de três filhos, o empresário relatou que conduziu o processo de sucessão durante a pandemia. Disse que abrir mão da presidência não foi simples, mas necessário. “Eu não tinha mais condições físicas e nem de acompanhar as tecnologias. Decidi viver melhor”, explica. A Tramontina está na quarta geração e sua longevidade é atribuída à preservação dos valores de simplicidade, perseverança e, acima de tudo, muito trabalho. Sua avó Elisa, por exemplo, vendia o canivete Santa Bárbara, o primeiro produto, em mercados da Serra e na capital.
Em relação ao trabalho, defendeu a disciplina, a dedicação, inclusive aos sábados e domingos, e a disposição para enfrentar os percalços. “Empreender não é um ato, é uma jornada. Antes de ser piloto de Fórmula 1, você precisa começar no kart”, comparou. Disse ainda que a criatividade é um dos requisitos primordiais desse processo. Na sequência, lembrou o esforço para consolidar a Tramontina internacionalmente, com missões a países como Japão e a venda na Walmart, passo decisivo na globalização.
Segundo Clovis, a construção da marca sempre esteve ligada aos colaboradores e aos consumidores, especialmente por meio da escuta ativa e da lapidação de talentos. Uma marca querida é feita por e para pessoas”, afirmou. Ele destacou que todos os diretores e gerentes foram formados mados internamente. Afinal, a valorização das “pratas da casa” está entre os principais pilares da companhia
Conselhos
Diagnosticado com esclerose múltipla aos 31 anos, em 1986, o empresário Clovis relatou que a doença não o impediu de seguir trabalhando. “Não parei um dia sequer”, afirmou. Na avaliação dele, reputação se mantém com relacionamento e participação ativa na comunidade, no mais número possível de setores. “Sejam presentes”, aconselhou.
Outro ponto mencionado foi a necessidade de preparar os futuros ocupantes de funções estratégicas e abrir espaço para a inovação. “Não tenham medo de inovar. Contudo, tratem de fazer e garantir o melhor. Não se trata necessariamente de uma revolução, mas de evoluir. O que se planeja tem que dar resultado”, afirma. No âmbito da liderança, sugeriu que líderes não apenas mandem, mas estejam mais próximos.
A terceira paixão mencionada foi a ACBF, clube que ajudou a fundar em 1976. Clovis lembrou que o primeiro título veio apenas em 1996, após duas décadas de persistência. Hoje, a equipe é multicampeã. Entre os títulos, sete taças da Libertadores e 3 intercontinentais.
Para o empresário, o esporte oferece lições semelhantes às do mundo corporativo “Em ambos, jamais podemos nos conformar com a derrota”, afirmou. Ao encerrar, defendeu o ânimo, resistência ao cansaço e adversidades e a confiança no país, pois o Brasil, mesmo com todos os seus problemas é um país de grandes oportunidades”.
O presidente da CIC, Jairo Sperotto, enfatizou a presença expressiva do público e a importância da vinda de uma figura de tamanha representatividade, especialmente em um contexto de agenda sempre cheia. Para o vice-presidente da Indústria, Diogo Fernando Dickel, Clovis e a família simbolizam o quanto “grandes transformações ocorrem quando são promovidas por pessoas que pensaram além”.
Próxima edição
Conforme cronograma, a próxima edição do Almoço Empresarial vai ocorrer no dia 16 de julho, a partir das 11h45, com o painel “O futuro das relações de trabalho: riscos, custos e decisões”. Esse debate será conduzido pelas empresárias Paulina Zart, Rocheli Kunzel e Taís Altmann. O Informativo Regional é um dos parceiros da iniciativa.