Quando os portões da 49a Expointer abrirem, no dia 29 de agosto, o público verá a etapa final de uma preparação iniciada meses antes. Agroindústrias familiares, empresas e até cabanhas ajustam a produção, organizam a logística, mobilizam colaboradores e intensificam o treinamento dos animais para chegar ao Parque Assis Brasi, em Esteio, preparados para disputar espaço, mercado e reconhecimento.
Por trás dos estandes e apresentações, há investimentos em tempo e dinheiro, decisões capazes de influenciar os resultados de todo ano. Mais do que isso, histórias de vida e a valorização da produção rural. Ao menos, dez empreendimentos da microrregião vão marcar presença até o 6 de setembro. A lista completa será divulgada nos próximos dias, o que pode ampliar a representatividade. Pela oitava vez, a Cachaçaria Wille, de Poço das Antas, integra este grupo.
Escala artesanal
A agroindústria chega à Expointer em um momento especial. Fundada pelos primos Vilson Luis Schneider e Tiago Guilherme Flach, completa 10 anos de mercado neste ano. Atualmente, possui 12 cachaças e 12 licores. Artesanal, a produção se concentra na localidade de Boa Vista. Além da venda na loja situada junto à propriedade, as bebidas são comercializadas em estabelecimentos especializados.
“Uma das certezas é que vamos participar da Expointer. É uma vitrine, conseguimos alcançar um público muito maior. Levaremos a nossa linha completa e, como sempre, oferecemos as degustações”, destaca Vilson. Ele enfatiza que a fabricação depende da disponibilidade da cana-de-açúcar, portanto, é variável. Ainda, há um rigoroso controle de qualidade em todas as etapas, inclusive com restrições de acesso. O tempo de envelhecimento, temperatura e o local de armazenagem fazem toda a diferença no resultado superior ao de exemplares do mesmo segmento. Também contribuem para certificações.
Entre os destaques, Vilson aponta a cachaça Blend 5 Madeiras (amburana, bálsamo, cabreúva, carvalho e grápia) e a Extra Premium Carvalho como os carros-chefe. Entre os licores, um dos principais é composto por jambu, pimenta e canela.
As linhas Ouro, Premium e Extra Premium varia entre até 1 ano e acima de 3 anos. “Acredito que o nosso maior desafio é quebrarmos o tabu em relação ao consumo da cachaça. O setor evolui cada vez e diferentes públicos passaram a experimentar”, exalta.
Da maturação ao preparo na hora
Parte dos produtos que a Queijaria Dorf levará ao evento começou a ser preparada ainda no primeiro semestre. Enquanto o queijo coalho dispensa maturação, por exemplo, o parmesão precisa de seis meses até atingir o ponto ideal de venda. Os diferentes tempos de produção exigem planejamento para atender à demanda dos nove dias de feira.
Segundo o sócio-proprietário Jackson Jacobs, será a quinta participação consecutiva da empresa. Todos os produtos serão levados ao evento. O portfólio aumentou ao longo dos anos e inclui quatro queijos autorais, produzidos com leite cru e maturados por pelo menos 60 dias.
Entre eles, estão o Hundert Tage (o queijo dos 100 dias, numa referência ao tempo maturado), o Bier Käse, elaborado com chope e lançado em 2024, e o Kaffee Käse, feito com café e apresentado ao mercado ano passado. A empresa também trabalha a versão defumada e opção sem lactose.
A organização envolve a formação dos lotes, a definição das quantidades, a montagem da estrutura e a distribuição do trabalho entre os integrantes da equipe. Três pessoas estarão diretamente envolvidas na operação durante o evento. Nesta semana, os preparativos entraram na reta final.
“Cerca de 70% da produção é comercializada em feiras e a Expointer é a principal delas. Nela, um dos nossos diferenciais será o queijo coalho assado na hora. Além disso, a matéria-prima vem da criação mantida pela família, o que nos permite acompanhar todo o processo de qualidade desde o leite até o produto final”, enfatiza Jacobs. O colonial permanece como mais vendido da Dorf. Na sequência, aparece o Hundert Tage, que conquistou espaço entre os consumidores e ajudou a consolidar a linha de produtos com identidade própria.
Para 2026, a expectativa é aumentar as vendas na Expointer entre 10% a 15% na comparação com o ano passado. Jacobs avalia que a presença contínua na feira contribuiu para formar e fidelizar uma clientela de diferentes regiões, além da visibilidade da marca. A venda direta gera aproximação e abre caminho para futuras oportunidades, como a entrada dos produtos em novas casas especializadas em alimentos coloniais e artesanais.

Colaboradores da Dorf aceleram preparativos para a participação na feira. Um deles é a embalagem do queijo coalho, que será assado na hora aos visitantes. Foto: Gabriela Arendt Schwingel
Tecnologia na produção leiteira
Sediada em Westfália, a Milkparts irá para a quarta participação após a pandemia. Conforme o empresário, Valdair Kliks, o estande vai integrar a parte central do Pavilhão do Gado Leiteiro, em um local estratégico, por onde passam os produtores. Toda a linha de equipamentos e produtos da marca própria e da parceira Lely estarão à disposição, como ordenhadeiras robotizadas e canalizadas, resfriadores de leite, aproximador de alimentos e o colchão d ́água, com tecnologia canadense, utilizado para maximizar o conforto e o bem-estar das vacas leiteiras em confinamento.
Em relação à ordenhadeira robotizada, Kliks destaca que serão feitas demonstrações com uma vaca de fibra, assim como o funcionamento do colchão. Como se trata de uma novidade, a apresentação contará com a presença de profissionais vindos do Canadá.
Toda a equipe comercial e técnica estará à disposição do público. “É um momento para recebermos os clientes, fidelizarmos e realizarmos prospecções. As edições anteriores foram muito boas e a tendência, mais uma vez, é de a feira receber muitas excursões tanto do Rio Grande do Sul quanto de outros estados. Esse movimento pode nos abrir ainda mais portas”, conclui Kliks.

No estande da Milkparts, de Westfália, a ordenhadeira robotizada será um dos principais equipamentos. Foto: Divulgação
A feira
De acordo com a organização, a 28a edição do Pavilhão da Agricultura Familiar contará com 509 expositores de todas as regiões gaúchas. Estarão representados 216 municípios. Além das agroindústrias, estarão expostos empresas dos seguintes ramos: artesanato rural, plantas, mudas e flores, além de sete cozinhas com pratos tradicionais. O pavilhão abrigará também o Cozinha Show, que irá utilizar produtos comercializados no próprio espaço na elaboração de receitas e pratos.
Nesta edição, serão 265 jovens e 179 mulheres à frente de empreendimentos. Entre os produtos comercializados estão embutidos, queijos, laticínios, pães, cucas, doces, geleias, mel, pescados, produtos da cana-de-açúcar, farinhas, vinhos, cachaças, sucos, frutas desidratadas, ovos, licores, erva-mate, grãos e cervejas artesanais.
Já o Pavilhão do Artesanato Gaúcho reunirá 202 expositores em 123 estandes. Além disso, serão 5.756 animais de argola, 12% a mais que no ano passado. Em 2025, a Expointer recebeu mais de 1 milhão de visitantes ao longo dos nove dias, marca superada pela primeira vez.