ILUSTRE CIDADÃ

“Precisamos inserir o canto coral nas escolas. Esta é uma das nossas mais ricas veias culturais”

O quadro Ilustre Cidadã Rosita Jussara Schneider

Por: Marco Mallmann

28/08/2026 | 10:46 Atualização: 28/08/2026 | 11:30
Rosita Jussara Schneider
Rosita Jussara Schneider

A coralista e corretora de seguros Rosita Jussara Schneider tem 59 anos. Formada em Administração pela Universidade Castelo Branco, do Rio de Janeiro, em 2011, habilitou-se como corretora de seguros pela Escola Nacional de Seguros em 2012 e 2013. Ex-presidente da Associação dos Coros de Teutônia (Acote), segue ligada à entidade, hoje como tesoureira, e tem uma participação destacada em diversos corais do município. É mãe de Bernardo Schneider Sippel e Frederico Schneider Rex e avó do Mathias e da Helena.

Qual a tua trajetória profissional?

Rosita Jussara Schneider – Minha trajetória profissional começou muito cedo, ainda na infância e adolescência, auxiliando meus pais e avós na lida rural. Depois, trabalhei como atendente em uma loja de confecções, fui auxiliar administrativo no Escritório de Contabilidade Wiethölter e, posteriormente, trabalhei como bancária no Bradesco. Na área de seguros, construí minha carreira na Poolseg Corretora de Seguros, onde comecei como recepcionista e cheguei à função de gerente comercial. Em 2012, iniciei uma nova etapa da minha vida profissional, tornando-me sócia e corretora de seguros da Revoar Corretora de Seguros, empreendimento ao qual me dedico até hoje.

Qual a tua ligação com o canto coral?

Rosita – Minha caminhada cultural começou na Comunidade Redentor, atuei como instrutora no Culto Infantil, no Grupo de Jovens e comecei a tocar violão e desenvolvemos algumas peças teatrais que levamos para outras comunidades. Em 1986, participei da fundação do Coro Misto Castelo Forte, dentro da Comunidade Redentor. Também participei do Coral Municipal Jovem, Coral da APPA do Colégio Teutônia, Coral do IECEG e Vocal Liberdade. Com o Liberdade foi uma experiência especialmente marcante. Tivemos a oportunidade de gravar um CD e, em 1997, viajamos para a Alemanha e a Suíça para realizar apresentações e representar nossa cidade através do canto. Também participei do Coral Municipal de Teutônia desde os primeiros anos, tive um período de afastamento e retornei em 2010, permanecendo até hoje. Ao longo dessa caminhada, aprendi que o canto coral é muito mais do que cantar. Ele exige disciplina, compromisso, capacidade de ouvir o outro e, principalmente, compreender que cada voz tem importância dentro de um conjunto. Aprendemos a construir juntos algo que individualmente não seria possível.

Qual tua ligação com a Acote?

Rosita – Minha atuação mais direta começou em 2017, quando fui convidada a participar da sua reativação e assumi a presidência, função que exerci até 2021. Foi um período muito importante, porque naquele mesmo ano, em 4 de setembro de 2017, foi aprovada a Lei Municipal nº 4.836, criando o Movimento Canto Coral de Teutônia, oficializando o Coral Municipal de Teutônia e instituindo também o Coral Anos Dourados e o Coral Municipal Infantojuvenil. E dezembro de 2017 foi um momento histórico para nossa cidade, quando Teutônia recebeu oficialmente o título de Capital Nacional do Canto Coral, cuja tramitação no Congresso Nacional havia iniciado em 2013. Depois da presidência, permaneci ligada à Acote como integrante do Conselho Fiscal, de 2022 a 2025, e, desde outubro de 2025, atuo como tesoureira. Também fui secretária da FECORS – Federação de Coros do Rio Grande do Sul, de 2019 a 2025.

Qual a importância do canto coral para Teutônia e região?

Rosita – O canto coral carrega um legado muito importante da nossa história. Está profundamente ligado à imigração alemã. As pessoas precisavam umas das outras para sobreviver, trabalhar, dividir alegrias e tristezas. Assim se fortaleceram a vida comunitária, as festas, a música e também o canto coral. Nossa história dentro dessa arte já trouxe muito reconhecimento para Teutônia. Mas também precisamos reconhecer que o mundo mudou. A tecnologia evoluiu, a cidade cresceu e surgiram muitos outros espaços e manifestações culturais, como teatro, capoeira, tradições gaúchas e alemãs, dança, orquestras e tantas outras expressões. Com isso, o canto coral foi perdendo espaço e número de participantes. A pandemia, a partir de 2020, acelerou muito uma redução que já vinha sendo percebida. Muitos grupos diminuíram ou encerraram suas atividades, mas também houve aqueles que resistiram e continuam se reinventando, aprimorando ensaios e apresentações e elevando a qualidade do trabalho. O canto coral representa trabalho em equipe, disciplina e harmonia. Beneficia profundamente quem participa e, ao mesmo tempo, leva ao público sentimentos e emoções que podem ser muito diferentes: alegria, amor, serenidade, tristeza, inquietação e tantas outras sensações. Acredito que Teutônia ainda não percebeu todo o potencial que existe em investir mais nessa arte. O canto coral é patrimônio cultural, mas também pode gerar desenvolvimento, inclusive turístico, se houver planejamento e uma visão de longo prazo.

Qual teu sentimento em contribuir para que essa tradição se perpetue?

Rosita – É uma mistura de muitos sentimentos: alegria, prazer, gratidão, pertencimento e também responsabilidade. Continuo participando porque é muito especial acompanhar todo o processo: receber uma música, estudá-la, compreendê-la, ensaiá-la e, finalmente, conseguir transformar aquelas vozes em um som que possa transmitir infinitas emoções para quem escuta. Fazer parte disso é uma experiência muito especial. E talvez seja justamente por ter vivido tantas dessas experiências que desejo que outras pessoas também possam vivenciá-las. Por isso, continuo acreditando que precisamos inserir o canto coral nas escolas, de forma estruturada e permanente, com o entendimento do poder público de que esta é uma das nossas mais ricas veias culturais. O canto coral pode se unir à dança, ao teatro e a tantas outras expressões artísticas, tornando tudo ainda mais rico. Mas, para isso, precisamos de planejamento de curto, médio e longo prazo. Tenho muitos sonhos: grupos de corais infantis, festivais escolares, musicais e projetos que aproximem as crianças e os jovens dessa tradição. Acredito que preservar o canto coral não significa apenas olhar para o passado. Significa dar às novas gerações a oportunidade de construir, através da música, novas histórias, novas amizades e novas emoções, mantendo viva uma parte muito importante daquilo que somos como comunidade. 

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