LEGADOS CULTURAIS

Saudações musicais

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Martin Alexandre Altevogt

28/08/2026 | 09:26

Continuamos juntos no nosso passeio pelo mundo do som, da música, da voz e dos instrumentos.  Hoje faremos uma viagem fascinante pela evolução da música do século XX. 

Os Estados Unidos se consolidaram como o grande epicentro desse período através do jazz e de vertentes como o swing e o bebop, abrindo caminhos para o surgimento do rock e do pop. Essa rica trajetória ganha contornos ainda mais profundos quando estabelecemos pontes culturais com o Brasil, revelando caminhos históricos e rítmicos muito semelhantes. 

Ao investigarmos as origens do jazz, voltamos à época da escravidão no sul dos EUA. Os povos afro-americanos expressavam suas dores em canções de trabalho (work songs), hinos sacros (negro spirituals) e no blues. No Brasil, esse mesmo processo de resistência cultural deu origem ao samba. Enquanto os norte-americanos fundiam harmonias europeias ao ritmo sincopado africano, os brasileiros faziam o mesmo nos terreiros e morros cariocas, provando que ambas as nações transformaram a opressão em pura genialidade artística. 

A palavra “jazz” surgiu em 1913, evocando força, vivacidade e inspiração. Seu berço foi New Orleans, cidade cosmopolita marcada por populações francesa, inglesa, espanhola e africana. Essa mistura cultural impulsionou grandes instrumentistas, com destaque para Louis Armstrong, o genial trompetista e cantor que imortalizou “When the Saints Go Marching In”. Paralelamente, no Rio de Janeiro, Pixinguinha unia a erudição europeia à síncope herdeira da África para consolidar o choro, tornando-se o nosso pilar na fundação de uma identidade musical urbana. 

Essa conexão direta atingiu o seu ápice no fim da década de 1950, com o surgimento da Bossa Nova. Nomes como João Gilberto e Tom Jobim uniram a batida do samba às harmonias modernas do jazz americano. O diálogo foi tão intenso que o saxofonista Stan Getz gravou o LP “Jazz Samba” em 1962, e Tom Jobim dividiu microfones históricos com Frank Sinatra, mostrando que ambos os países criaram gêneros que compartilham a mesma essência de liberdade. 

Por fim, a evolução do cinema uniu essas artes. A transição das telas mudas para o som deu ferramentas poderosas aos diretores, imortalizando musicais célebres como “Singin’ in the Rain” (1952). No Brasil, essa febre inspirou as clássicas chanchadas da Atlântida Cinematográfica, que espalharam o samba pelas telas nacionais e impulsionaram estrelas como Carmen Miranda rumo a Hollywood.

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