ILUSTRE CIDADÃO

“Sinto alegria por tudo o que foi possível realizar e que trouxe benefícios às pessoas e às comunidades”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Yedo Brandenburg

09/10/2026 | 11:45
Yedo Brandenburg
Yedo Brandenburg

Natural de Venâncio Aires e nascido em 18 de março de 1950, o pastor emérito da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Yedo Brandenburg, fez história em Teutônia. Dos 46 anos de atividade ministerial, 19 foram dedicados ao pastorado, inicialmente como segundo pastor na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Teutônia Sul e, a partir de 1999, como o primeiro pastor na então recém constituída Paróquia Teutônia Centro, atendendo as comunidades Martin Luther e Betânia. Casado com a professora Laude Brandenburg, que exerce a docência na Faculdades EST, em São Leopoldo (RS), é pai de Elise, que também é professora, e avô de Isabella e de Ravi. Reside no Bairro Alesgut, uma vez que possui forte ligação com Teutônia.

Onde e quando foi a tua formação como pastor da IECLB?

Yedo Brandenburg – No Instituto Pré-Teológico, de 1962 a 1969, e na Faculdade de Teologia (hoje, Faculdades EST) da IECLB, em São Leopoldo, de 1970 a 1974. Também realizei cursos complementares nos Estados Unidos da América, na área de Clínica Pastoral, em Columbus, Ohio (1974–1975); curso Lato Sensu em Aconselhamento e Psicologia Pastoral (2002-2004), no Instituto Ecumênico de Pós-Graduação da IECLB, em São Leopoldo, com a monografia de conclusão com o tema “Profissionais da saúde diante da morte: um estudo a partir do Hospital Ouro Branco, Teutônia (RS)”.

Em quais municípios atuaste como pastor?

Brandenburg – Em Tenente Portela (RS), de 1975 a 1979; em Campo Bom (RS) em 1984; em Teutônia, de 1985 a 2004; e em Novo Hamburgo (RS), na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Hamburgo Velho, de 2004 a 2012.

Uma lembrança do período de atividade ministerial em Teutônia?

Brandenburg – O carinho dos membros por sua comunidade e igreja: sempre havia pessoas dispostas a viver o seu batismo no dia a dia, colocando seus dons a serviço da comunidade por meio da participação no presbitério, nas atividades com crianças, jovens, mulheres, casais, pessoas idosas, doentes e enlutadas. Esse carinho dos membros por sua comunidade e igreja também se manifesta atualmente.

Além de pastor, atuaste, ou atuas, em outras áreas?

Brandenburg – Sim. De 1979 a 1983, lecionei Ensino Religioso no Colégio Sinodal, em São Leopoldo; também fui professor de Clínica Pastoral, na Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo; e da área bíblica, no Instituto Superior de Catequese e Estudos Teológicos da IECLB, em São Leopoldo. Além disso, atuo como editor da Comissão Interluterana de Literatura (CIL), desde julho de 2012 até o presente. A CIL é constituída e mantida pela Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) e pela IECLB. As duas igrejas, em parceria com as Editoras Concórdia e Sinodal, publicam o devocionário Castelo Forte – Meditações diárias (desde 1968) e a coleção Martinho Lutero – Obras Selecionadas (desde 1987). Antes da publicação desta coleção em língua portuguesa, só era possível ler os escritos de Lutero em alemão ou inglês. Neste mês da Reforma, cujo dia é celebrado em 31 de outubro, ocorre o lançamento dos volumes 15 e 16 da coleção. Estes dois volumes reúnem cartas de Lutero dos períodos de 1507 a 1530 e de 1531 a 1546, ano de sua morte.

Quantos anos totalizaste de pastorado e desde quando estás aposentado?

Brandenburg – Em 18 de março de 2021, ao completar 71 anos de idade, recebi da presidência da IECLB o certificado de gratidão pelo período em que exerci o ministério com fidelidade ao Senhor da Igreja, tornando-me pastor emérito. Foram 46 anos de atividade ministerial. Apesar de aposentado, continuo trabalhando como editor da CIL, mas dedicado exclusivamente à coleção Martinho Lutero – Obras Selecionadas.

Qual a importância da atuação do pastor ou da pastora na comunidade?

Brandenburg – O pastor e a pastora têm a importante tarefa de: anunciar o evangelho de Jesus Cristo, isto é, a boa notícia de que Deus ama todas as pessoas, sem distinção de raça, etnia, gênero ou condição social, mas também falar sobre tudo aquilo que separa as pessoas umas das outras e de Deus e que prejudica a integridade da bela criação de Deus; solidarizar-se com as pessoas que sofrem, confortando-as por meio da palavra do Cristo, o crucificado e ressurreto; proporcionar condições para o exercício do sacerdócio geral de todas as pessoas que creem em Jesus Cristo, visando à formação de uma comunidade terapêutica, na qual cada pessoa zela pelo bem-estar integral das demais, pois Cristo disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10).

Qual a tua sensação por teres contribuído nas comunidades em que atuaste?

Brandenburg – Por um lado, sinto tristeza por todo o bem que deixei de realizar e pelas vezes em que, porventura, machuquei pessoas por meio de palavras e ações. Por outro lado, sinto alegria por tudo o que foi possível realizar e que trouxe benefícios às pessoas e às comunidades. Sou grato ao bondoso Deus, às lideranças e aos membros das comunidades por todo o apoio recebido ao longo dos anos de atividade ministerial, especialmente em Teutônia, que se tornou o lugar onde minha esposa Laude e eu decidimos residir e onde construímos vínculos que permanecem, apesar dos anos que passam.

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