LEGADOS CULTURAIS

A lenda do tesouro jesuíta

Opinião de Júlio César Lang, escritor, geógrafo e professor

25/09/2026 | 09:36

Duas misteriosas lendas se destacam entre os antigos relatos do município de Teutônia: a do tesouro dos Jasper e a do tesouro jesuíta.

A primeira envolve moedas de ouro e prata, joias e outros metais preciosos que teriam sido escondidos pela família Jasper, de Wilhelm Jasper (1862-1930) e Augusta Brandenburg (1869-1938), na Linha Capivara, durante a Revolução Federalista (1893-1895).

Naquele período turbulento, marcado por assassinatos, incêndios de estabelecimentos comerciais e saques praticados principalmente por bandoleiros federalistas, conhecidos como “maragatos”, o clã teria decidido refugiar-se junto de parentes em Maratá, aguardando o fim do conflito. A família, temendo perder a fortuna de gerações, teria ocultado joias, metais e moedas em algum ponto remoto da localidade, possivelmente em árvores, construções antigas, pedreiras ou no subsolo.

A segunda lenda, menos conhecida, é mencionada por moradores das Linhas Boa Vista, Boa Vista Fundos e Catarina. Entre as décadas de 1950 e 1970, algumas famílias teriam encontrado esqueletos, pequenos crucifixos de vidro e vestígios de roupas com marcas de bala ao escavar alicerces para construções.

Os pingentes, anteriores à colonização germânica, possivelmente teriam pertencido a indígenas catequizados pelos jesuítas nas antigas Missões. Produzidos em cores como amarelo, branco, verde e vermelho, simbolizariam a fé cristã dos recém-convertidos. Segundo a tradição oral, durante ou após a expulsão dos jesuítas em 1759, padres e indígenas perseguidos pelos portugueses teriam atravessado os campos e matas da região, escondendo ali um tesouro composto por arte sacra e objetos de bronze, prata ou ouro. As cruzes e os ossos encontrados seriam indícios de sua passagem pelas proximidades dos arroios Boa Vista e Vermelho.

Na época, o Marquês de Pombal (1699-1782) determinara a prisão, o banimento dos jesuítas e o confisco de seus bens, temendo o fortalecimento econômico e político da Companhia de Jesus.

Apesar das buscas ocasionais e do uso de detectores de metal na área, nenhum tesouro foi encontrado até o momento. O mistério, porém, continua vivo nos relatos populares.

Alguns estudiosos defendem que o verdadeiro “tesouro” jesuíta não seria material, mas sim imaterial: presente na forma como os missionários educaram, influenciaram culturalmente e organizaram os povos indígenas nas antigas reduções.

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