Os povos germânicos, formados por uma mescla de tribos bárbaras, cultivavam uma profunda crença nas leis da mãe natureza. A constatação da influência dos astros sobre a vida levou-os a professar um paganismo natural, pautado na observação dos fenômenos celestes.
Com a introdução do cristianismo na Germânia, entre os séculos IV e IX, tais crenças foram sendo, pouco a pouco, sobrepostas e, em parte, combatidas pela influência romano-cristã, ora de forma abrupta, ora de maneira mais branda, entre o povo. Todavia, muitos descendentes teuto-brasileiros, sobretudo no meio rural, mais de mil anos depois, ainda preservam práticas oriundas das antigas observações pagãs e panteístas.
A regência astral, segundo eles, manifesta-se nas criações e lavouras, orientando colheitas, plantios e podas. As fases da Lua, por exemplo, segundo saberes tradicionais, regulam o desenvolvimento das culturas, nas quais, na crescente e na cheia, privilegiam-se plantas de frutos acima do solo; já na minguante e na nova, aquelas de raízes subterrâneas.
O ciclo lunar, com cerca de vinte e nove dias e meio, influenciou a divisão tradicional dos meses e, indiretamente, das semanas. Já a rotação da Terra determina a sucessão dos dias e das noites e fundamenta os fusos horários. A translação ao redor do Sol, associada à inclinação do eixo terrestre, estabelece as estações, quando a maior incidência solar gera a primavera e o verão; e a menor, o outono e o inverno.
O calendário gregoriano, derivado do calendário juliano e influenciado por conhecimentos astronômicos antigos, baseia-se nessas voltas da Terra em torno do Sol, astro central do sistema solar, inserido na Via Láctea.
Para o produtor do campo, acompanhar esses ritmos naturais sempre foi fundamental para o sucesso das atividades agrícolas. Diversos povos antigos – como astecas, egípcios, gregos, incas, mesopotâmicos e romanos – inclusive reverenciavam o Sol como uma especial divindade, devido à sua importância para a vida. Assim, percebe-se que antigas crenças ligadas à observação da natureza continuam presentes no século XXI, especialmente nas práticas do meio campestre.
Mais do que simples tradições, elas representam séculos de experiência acumulada e de convivência direta com os ciclos do espaço terrestre. Ao longo da história, o ser humano aprendeu que o sucesso de muitas de suas atividades depende da capacidade de compreender e respeitar os ritmos da natureza.