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ALMOÇO EMPRESARIAL

“Antes de ser piloto de Fórmula 1, você precisa começar no kart”, diz Clovis Tramontina

Empresário palestrou no evento promovido pela CIC Teutônia em alusão ao Dia da Indústria e compartilhou lições sobre gestão, liderança e valorização das raízes

Por: Marcel Lovato

12/06/2026 | 16:00
Tramontina destacou a preparação para ocupar cargos
estratégicos como importante movimento para uma empresa seguir forte. Foto: Marcel Lovato
Tramontina destacou a preparação para ocupar cargos estratégicos como importante movimento para uma empresa seguir forte. Foto: Marcel Lovato

Uma das principais referências brasileiras em liderança e gestão, o empresário e ex-presidente da Tramontina Clovis Tramontina foi o convidado do Almoço Empresarial da CIC Teutônia realizado nessa quinta-feira, 11. Alusivo ao Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, o evento lotou o auditório da entidade e teve como tema “Três paixões e muitos desafios”. São elas: família, os negócios e a Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF).

Neto do fundador Valentim Tramontina, que criou a empresa há 115 anos em Carlos Barbosa, Clovis presidiu-a entre 1992 e 2021 depois de uma construir uma trajetória dentro da própria organização, com passagens por diferentes setores. Para ele, ocupar um cargo de comando exige conhecimento amplo do negócio, com a conquista gradual de espaços. Afinal, “não se pode começar na diretoria”.

Trabalho, sucessão e foco nas pessoas

Aos 70 anos, pai de três filhos, o empresário relatou que conduziu o processo de sucessão durante a pandemia. Disse que abrir mão da presidência não foi simples, mas necessário. “Eu não tinha mais condições físicas e nem de acompanhar as tecnologias. Decidi viver melhor”, explica. A Tramontina está na quarta geração e sua longevidade é atribuída à preservação dos valores de simplicidade, perseverança e, acima de tudo, muito trabalho. Sua avó Elisa, por exemplo, vendia o canivete Santa Bárbara, o primeiro produto, em mercados da Serra e na capital.

Em relação ao trabalho, defendeu a disciplina, a dedicação, inclusive aos sábados e domingos, e a disposição para enfrentar os percalços. “Empreender não é um ato, é uma jornada. Antes de ser piloto de Fórmula 1, você precisa começar no kart”, comparou. Disse ainda que a criatividade é um dos requisitos primordiais desse processo. Na sequência, lembrou o esforço para consolidar a Tramontina internacionalmente, com missões a países como Japão e a venda na Walmart, passo decisivo na globalização.

Segundo Clovis, a construção da marca sempre esteve ligada aos colaboradores e aos consumidores, especialmente por meio da escuta ativa e da lapidação de talentos. Uma marca querida é feita por e para pessoas”, afirmou. Ele destacou que todos os diretores e gerentes foram formados mados internamente. Afinal, a valorização das “pratas da casa” está entre os principais pilares da companhia

Conselhos

Diagnosticado com esclerose múltipla aos 31 anos, em 1986, o empresário Clovis relatou que a doença não o impediu de seguir trabalhando. “Não parei um dia sequer”, afirmou. Na avaliação dele, reputação se mantém com relacionamento e participação ativa na comunidade, no mais número possível de setores. “Sejam presentes”, aconselhou.

Outro ponto mencionado foi a necessidade de preparar os futuros ocupantes de funções estratégicas e abrir espaço para a inovação. “Não tenham medo de inovar. Contudo, tratem de fazer e garantir o melhor. Não se trata necessariamente de uma revolução, mas de evoluir. O que se planeja tem que dar resultado”, afirma. No âmbito da liderança, sugeriu que líderes não apenas mandem, mas estejam mais próximos.

A terceira paixão mencionada foi a ACBF, clube que ajudou a fundar em 1976. Clovis lembrou que o primeiro título veio apenas em 1996, após duas décadas de persistência. Hoje, a equipe é multicampeã. Entre os títulos, sete taças da Libertadores e 3 intercontinentais.

Para o empresário, o esporte oferece lições semelhantes às do mundo corporativo “Em ambos, jamais podemos nos conformar com a derrota”, afirmou. Ao encerrar, defendeu o ânimo, resistência ao cansaço e adversidades e a confiança no país, pois o Brasil, mesmo com todos os seus problemas é um país de grandes oportunidades”.

O presidente da CIC, Jairo Sperotto, enfatizou a presença expressiva do público e a importância da vinda de uma figura de tamanha representatividade, especialmente em um contexto de agenda sempre cheia. Para o vice-presidente da Indústria, Diogo Fernando Dickel, Clovis e a família simbolizam o quanto “grandes transformações ocorrem quando são promovidas por pessoas que pensaram além”.

Próxima edição

Conforme cronograma, a próxima edição do Almoço Empresarial vai ocorrer no dia 16 de julho, a partir das 11h45, com o painel “O futuro das relações de trabalho: riscos, custos e decisões”. Esse debate será conduzido pelas empresárias Paulina Zart, Rocheli Kunzel e Taís Altmann. O Informativo Regional é um dos parceiros da iniciativa.

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