

O casal Mônica Wermeier, 36 anos, natural de Teutônia, e Luís Fernando Bruxel, 39 anos, de Lajeado, está junto desde 10 de junho de 2006. São 20 anos de amor, cumplicidade e respeito, iniciados em um baile no CTG Tropilha Farrapa, em Lajeado. “Naquela noite, o Luís me tirou para dançar e, durante um ´xote figurado`, fazendo a figura da ´janelinha`, me pediu para ficar com ele. Foi através da dança que nossa história começou. Ela que nos uniu e, desde então, construímos nossas vidas. A dança faz parte da nossa história, da nossa profissão, da nossa família e da nossa maneira de viver o tradicionalismo”, afirma Mônica.
Ambos são instrutores pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), desde abril de 2007. Em 2009, passaram a oferecer o Curso de Danças Luís e Mônica. Ao longo desses 17 anos, foram mais de 90 cursos e uma estimativa de mais de 5 mil alunos formados. “É um número que nos deixa muito felizes, porque representa não apenas pessoas que aprenderam a dançar, mas famílias, histórias e amizades que construímos ao longo dessa caminhada”, reforça Luís.
O casal possui ampla participação em festivais. A primeira vez no Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart) foi em 2009. Após repetir a participação em 2010, eles decidiram se dedicar a outros projetos, mas retornaram em 2014, chegando à final do concurso. Aliás, a partir dali, com exceção de 2020 – quando o evento não foi realizado devido à pandemia –, eles participaram de todas as finais, alcançando o título de Campeões do Enart em 2023. Antes disso, em 2021, Luís e Mônica haviam sido convidados pelo MTG a participar do Festival dos Festivais, em Santa Cruz do Sul. Em 2025, ficaram com o vice-campeonato no Festival Nacional de Dança Gaúcha de Salão, em Cristalina (GO). “Essa competição mostra a força que a nossa cultura tem fora do RS. Muitas vezes as pessoas pensam que o tradicionalismo e a nossa dança estão restritos ao nosso estado, porém estão presentes em diversos lugares do Brasil”, destaca Mônica.
Recompensa
Preparar casais para participar dos concursos e perceber que a performance deles, entrando na pista e apresentando o que foi construído em conjunto, é extremamente gratificante para Luís e Mônica. “Quando eles colocam em prática as coreografias desenvolvidas, independentemente se são crianças, adolescentes ou adultos, o sentimento de realização é muito grande”, reconhece Luís. Ele lembra que, em 2025, o casal vice-campeão do Enart havia sido aluno deles. Além disso, no Mato Grosso, os três últimos campeões estaduais da Categoria Adulto também foram alunos da dupla. “É muito especial ver o trabalho se concretizando e saber que conseguimos contribuir para o crescimento de cada casal. São resultados que nos deixam muito felizes, porque mostram que aquilo que ensinamos está sendo levado adiante e que nossos alunos também estão se destacando”, acrescenta Mônica.
A responsabilidade de manter vivas as danças gaúchas, preservando também os valores e o respeito que existem dentro de um galpão, é algo que faz parte da vida do casal. “Acreditamos que o meio tradicionalista ainda é um dos lugares mais saudáveis para criar os filhos, justamente pelos valores, pela convivência e pelos ensinamentos que ele proporciona. Hoje, conseguimos dar aulas em diversos estados do Brasil. Desenvolvemos uma forma de ensinar através das aulas on-line, o que nos permite levar a dança gaúcha de salão cada vez mais longe”, revela Luís. Além da felicidade em perceber o resultado dos anos de trabalho, o casal entende que preservar a tradição não significa apenas mantê-la como algo do passado: “é ensinar, compartilhar, formar novas pessoas e fazer com que a dança continue viva nas próximas gerações”, completa Mônica.