A pressão acumulada por metas, responsabilidades e decisões pode levar líderes ao esgotamento e afetar o desempenho de toda a equipe. O alerta foi feito pelo psicólogo da Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo (VTRP) Ezequiel Calegari, durante o Almoço Empresarial promovido pela CIC Teutônia nesta quinta-feira, 24.
Com o tema “Cuidar de quem lidera”, o encontro propôs uma reflexão sobre a naturalização da exaustão no meio empresarial. Calegari destacou que a saúde emocional de gestores precisa receber a mesma atenção dedicada aos resultados, à produtividade e às demais responsabilidades dos negócios. Afinal, o líder é o “termômetro emocional da sua equipe”.
Conforme o profissional, a maneira como o gestor reage às adversidades influencia diretamente o clima organizacional. Se ele estiver esgotado, tende a responder por impulso, centralizar tarefas e reduzir o diálogo. Por outro lado, se mantém uma rotina de autocuidado, consegue avaliar as situações com maior clareza, compartilhar responsabilidades e ouvir os integrantes da equipe.
Sinais aparecem antes da crise
Alterações no sono, irritabilidade, dificuldade de concentração e reações desproporcionais podem indicar um declínio no equilíbrio emocional. Segundo Calegari, as crises de ansiedade não ocorrem sem sinais anteriores. Perceber essas mudanças permite buscar apoio antes que o quadro se agrave e atinja também quem está à volta, seja em casa ou no trabalho.
Ele também diferenciou a ansiedade natural, que prepara o organismo para enfrentar situações desafiadoras, do transtorno que compromete a rotina e a qualidade de vida. O estresse reduz a capacidade de raciocínio lógico, aumenta a possibilidade de respostas impulsivas e interfere nas decisões que precisam ser tomadas todos os dias.
Nesse processo, o autoconhecimento foi apresentado como uma ferramenta para identificar gatilhos e comportamentos automáticos. Calegari orientou os participantes a reconhecer aquilo que provoca irritação, preocupação ou nervosismo, assim como as atividades que proporcionam equilíbrio e bem-estar.
A interpretação atribuída aos acontecimentos também interfere nas emoções. Conforme o psicólogo, crenças distorcidas podem ampliar o medo, a insegurança e a irritabilidade.
Presença não significa produtividade
Outro conceito abordado foi o “presenteísmo”, quando o profissional permanece no trabalho mesmo sem condições físicas ou emocionais para desempenhar adequadamente suas funções. Nesses casos, podem ocorrer dificuldades de concentração, queda de rendimento e problemas de relacionamento.
O debate ocorre em um período de crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que o Brasil registrou cerca de 560 mil concessões de benefícios por incapacidade decorrentes de transtornos mentais e comportamentais em 2025. Ansiedade e episódios depressivos aparecem entre as principais causas.
Calegari também mencionou os impactos econômicos do problema. Conforme estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão e ansiedade provocam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho e um prejuízo de US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo.
Cuidado precisa integrar a rotina
Entre as orientações apresentadas estão a atenção maior ao sono, a realização de atividades que proporcionem prazer e desaceleração, a manutenção de uma rede de apoio e a inclusão de pausas na rotina. O psicólogo também sugeriu reduzir a procura por “Dopamina barata”, como as recompensas imediatas proporcionadas pelas redes sociais, bets e alimentos ricos em gorduras. Tais comportamentos devem ser substituídas por atividades que promovam conexões com outras pessoas.
Para Calegari, compreender o que acontece com alguém que não está bem deve anteceder julgamentos ou cobranças. Ele ressaltou que questões da vida pessoal também interferem no ambiente profissional e precisam ser tratadas com escuta e responsabilidade. “O inconsciente não quer que o consciente tenha acesso aos nossos medos e insegurança. Além disso, ir ao psicólogo ou psiquiatra não significa não é coisa de louco. Isso culturalmente está mudando, mas podermos evoluir”, enfatizou o psicólogo.
Na abertura do encontro, o presidente da CIC Teutônia, Jairo Sperotto, classificou o assunto como de “extrema relevância” e baseado em sugestões feitas pelos associados. O superintendente de Mercado da Unimed VTRP, Darlei de Lima, destacou a importância da prevenção, da manutenção dos exames em dia e do enfrentamento ao preconceito relacionado ao cuidado psicológico.