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Incertezas no Agro e desafios do setor para o próximo governo

Opinião de Márcio Mügge, administrador

16/10/2026 | 11:49 Atualização: 16/10/2026 | 11:51

O próximo governo do Brasil enfrentará uma agenda complexa de desafios estruturais, climáticos e financeiros no agronegócio para manter a competitividade do setor. Independentemente de quem assumir a presidência, as prioridades estipuladas por entidades como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pesquisadores do FGV Agro relacionam desafios intensos. O endividamento dos produtores rurais e as pressões das contas públicas geram incertezas sobre o volume de recursos e taxas de juros para o custeio das safras futuras. E essa é uma grande incerteza!

A proteção contra extremos climáticos, com o fortalecimento do seguro rural, é uma pauta contundente. Com quebras de safra recorrentes provocadas por fenômenos severos (como as crises climáticas que afetaram diretamente o RS), o fortalecimento e a ampliação do orçamento do seguro agrícola são vistos como vitais para mitigar os riscos de produção e evitar o êxodo no campo.

O próximo governo precisará reduzir os custos de transporte e armazenagem, além de otimizar a infraestrutura rodoferroviária e portuária para escoar os volumes crescentes de grãos e carnes. Fornecimento da internet de alta qualidade no campo continua sendo um entrave para a adoção plena de tecnologias de precisão e modernização agroindustrial.

Manter relações comerciais pragmáticas e fluidas com grandes parceiros comerciais, em especial a China, destino de quase metade das exportações de carne brasileira, por exemplo, demandará inteligência diplomática para evitar barreiras ideológicas e diversificar mercados.

E ainda tem o problema dos fertilizantes: o Brasil segue altamente dependente do mercado internacional para a compra de adubos e defensivos agrícolas, deixando os custos de produção vulneráveis às oscilações da geopolítica global e conflitos externos. Estimular a produção nacional desses insumos de forma estratégica é um dos grandes desafios de longo prazo na mesa do próximo governante.

Custo do diesel e incertezas de mercado

A pauta dos combustíveis será um dos temas mais estratégicos para o próximo governo, atuando de duas formas opostas no agronegócio: como uma forte pressão de custos operacionais e, ao mesmo tempo, como uma oportunidade bilionária de novos mercados de energia limpa.

O diesel é o insumo que move os tratores, colheitadeiras e a frota de transporte rodoviário. Oscilações de preço causadas por crises geopolíticas globais pesam diretamente no bolso do produtor. Atividades agrícolas altamente mecanizadas, como a cana-de-açúcar, arroz e algodão, são as que mais sofrem o impacto financeiro imediato da alta do combustível.

Tramitam no congresso projetos e debates urgentes voltados para atenuar o preço dos combustíveis, utilizando receitas extraordinárias do petróleo ou prorrogações de incentivos fiscais. O próximo governo terá de equilibrar a responsabilidade fiscal com a necessidade de evitar o repasse desses custos logísticos para o preço final dos alimentos.

O principal motor de mudança estrutural vem da consolidação da Lei do Combustível do Futuro. Ela transforma o agronegócio de um mero produtor de alimentos em uma potência fornecedora de matriz energética, abrindo mercados massivos para cana-de-açúcar, milho e óleos vegetais.

Estímulo ao crédito por práticas sustentáveis

Conforme observado nas últimas diretrizes do Plano Safra, o próximo governo federal poderá continuar estreitando os laços entre financiamento e sustentabilidade.

Produtores que utilizam fontes de energias renováveis e combustíveis alternativos ou que comprovam redução na pegada de carbono tendem a ganhar bônus e redução nas taxas de juros de custeio.

SOLICITAÇÕES DO PRODUTORES RURAIS

Segundo o posicionamento oficial das principais entidades de produtores, as demandas centrais do próximo governante devem ser:

  • Reestruturação do Crédito e Fundo Garantidor: acesso menos burocrático e fundo garantidor menos exigente, para quem possue capacidade financeira e não tem mais áreas de terra livres como garantia.

  • Renegociação de Dívidas Rurais: a renegociação e o alongamento das dívidas rurais são vistos como cruciais pelas entidades para evitar a insolvência e manter o produtor no campo.

  • Reformulação Urgente do Seguro Rural: exigência que o próximo governo trate o seguro rural como política de estado prioritária, protegendo a renda do agricultor em casos de secas severas ou excesso de chuvas.

  • Segurança Jurídica e Regularização Fundiária: Garantia da propriedade e aceleração da Regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

  • Investimentos maciços no modal ferroviário e hidroviário, além de melhorias nas rodovias. Também crédito específico para construir silos e armazéns nas propriedades.

  • Equilíbrio Fiscal: controle fiscal e a estabilidade econômica. O agronegócio é intensivo em capital, e a redução real das taxas de juros é necessária para viabilizar a compra de novos insumos e frotas de tratores e colheitadeiras.

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