A atualização da NR-1 trouxe uma mudança importante para empresas com empregados contratados pelo regime CLT. A partir da inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), fatores relacionados à saúde mental passaram a integrar oficialmente a gestão de segurança e saúde no trabalho.
Na prática, isso significa que situações como sobrecarga de trabalho, metas excessivas, assédio moral e sexual, conflitos organizacionais, jornadas prolongadas, falta de autonomia e insegurança no emprego precisam ser identificadas, avaliadas e tratadas pela empresa. Não basta reconhecer esses riscos; é necessário documentá-los e estabelecer medidas preventivas.
Ao contrário do que muitos imaginam, a NR-1 não exige a contratação de psicólogos ou a criação de um setor específico de saúde mental. A obrigação é demonstrar que a empresa possui um processo de gestão desses riscos, registrando as ações adotadas e mantendo o PGR atualizado.
Campanhas como Janeiro Branco, Abril Verde, Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul também podem fazer parte dessa estratégia quando planejadas e documentadas, fortalecendo a cultura de prevenção e servindo como evidências do compromisso da empresa com a saúde dos colaboradores.
Além do aspecto legal, investir em prevenção reduz afastamentos, melhora o ambiente de trabalho, aumenta a produtividade e diminui a exposição a ações trabalhistas. Mesmo com a suspensão temporária das multas administrativas relacionadas aos riscos psicossociais, a obrigação de gerenciar esses riscos continua vigente.
Mais do que atender uma exigência legal, a adequação à NR-1 representa uma oportunidade para fortalecer a gestão, valorizar as pessoas e construir ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e preparados para os desafios atuais.