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ILUSTRE CIDADÃO

“Quando Teutônia se emancipou, ninguém esperava que o município fosse se desenvolver tão rapidamente”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Silvério Luersen

15/05/2026 | 13:53

Ex-prefeito de Teutônia por dois mandatos e vice-prefeito na primeira administração, Silvério Luersen tem 82 anos. Nascido em 16 de março de 1944, trabalhou na roça desde criança. Aos 12 anos, após o falecimento do pai, assumiu o trabalho e a família com sua mãe. Ainda jovem, auxiliou na montagem de algumas das primeiras redes de energia elétrica da Certel, na época em que o trabalho era braçal. Aos 20, criou a empresa Comércio de Transportes Teutônia Ltda., com venda e entrega de rações e ovos. Casou-se em 1969, aos 25 anos, com Gladis Luersen e tiveram quatro filhos: Rosiléa, Dulcenéia, Andréia e André. Líder comunitário, participou da diretoria de diversas entidades. Foi um dos líderes emancipacionistas de Teutônia, em 1981.

Como foi a sua atividade profissional?

Silvério Luersen – Depois da agricultura, ainda adolescente, auxiliei na montagem das primeiras redes de energia elétrica da Certel, um trabalho braçal e bastante pesado. Depois, aos 20 anos, criei a minha empresa, Comércio de Transportes Teutônia Ltda. Eu vendia e entregava ovos e rações. Eu conhecia todo o interior e visitava os colonos e os armazéns para vender rações e comprar ovos, que eu levava a Porto Alegre. Trabalhei 25 anos nesse ramo. Também fui sócio fundador da Esquadrias Baiana.

E a entrada na política, como aconteceu?

Luersen – Por Estrela, por volta de 1978, eu havia sido convidado a me candidatar a vereador, mas não aceitei. Depois, fui convidado a participar da Comissão Emancipacionista de Teutônia em 1981, não da parte burocrática, mas nas visitas e no convencimento das pessoas, já que eu conhecia todo o interior e os agricultores. Nos comícios em prol da emancipação eu era muito aplaudido, porque eu conhecia todos e também estava muito envolvido no esporte, uma vez que eu presenteava os clubes de futebol com bolas novas nas visitas que eu fazia nos campos. Depois da vitória do “Sim”, em 24 de maio de 1981, voltei a ser chamado para uma reunião política na casa de Elton Klepker (in memoriam) no Carnaval de 1982. Fui questionado e me coloquei à disposição para ser candidato a vereador ou a vice-prefeito. E assim aconteceu, depois de muitas conversas que tive com o Klepker. Aprendi muito com ele, o Klepker foi um grande professor.

Como foi sua participação na política de Teutônia?

Luersen – Fui vice-prefeito de 1983 a 1988; depois, já no PDT, fui prefeito de 1989 a 1992, com o vice-prefeito José Danilo Jantsch; atuei como chefe de gabinete de 1993 a 1996, quando o Klepker foi candidato único, com o Derci “Lui” Bayer como vice-prefeito; e retornei como prefeito de 2005 a 2008, com o atual prefeito, Renato Altmann, de vice.

Qual o senhor considera que foi sua principal realização como prefeito?

Luersen – Foram diversas obras. Construímos 66 salas de aula, muitas escolas de Educação Infantil – já que no início dos anos de 1990 só havia duas creches – muitos ginásios, tanto nos bairros quanto no interior, sistema de telefonia no interior, diversos asfaltos por todo o município. Mas eu acredito que o principal que eu consegui realizar, que foi fundamental para o crescimento de Teutônia, foi o acordo com os mais de 40 agricultores cujas terras foram desapropriadas para a construção do Centro Administrativo. Pelo acerto, cada proprietário recebeu como indenização quatro terrenos por hectare. Esse acordo foi fundamental, porque representou uma grande economia financeira para Teutônia. Imagina se hoje o município ainda não tivesse indenizado os proprietários, quanto teria que pagar, nos valores atuais? Então, isso foi muito importante para o município, mas as pessoas nem lembram desse fato.

Qual a sensação do senhor hoje, quando Teutônia completa 45 anos?

Luersen – Nem consigo expressar, mas para mim é muita alegria e felicidade. Quando Teutônia se emancipou, ninguém esperava que o município fosse de desenvolver e progredir tão rapidamente. Estou muito feliz e sempre torço para que a administração fique em boas mãos. Teutônia é destaque em todos os lugares.

E qual o sentimento pela homenagem que o senhor recebeu, como Cidadão Emérito de Teutônia, pela Câmara de Vereadores?

Luersen – Inicialmente, eu não valorizava essas homenagens. Mas com o passar do tempo, com todas as pessoas me encontrando e considerando importante este reconhecimento, vejo que é muito importante, que tudo o que eu fiz é lembrado e está sendo valorizado pela comunidade. O pedido foi encaminhado pelo vereador Werner Wiebusch e teve aprovação unânime. Também achei muito justa a homenagem à memória de Elton Klepker com o seu nome para o Centro Administrativo de Teutônia. Logo no início da sua primeira administração, ele ordenou que 10% da receita do município fosse depositada numa conta em separado e esse recurso foi utilizado para construção da estrutura. Se não fosse ele, Teutônia não seria o que é hoje.

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