Quatro décadas e meia após a emancipação político-administrativa, Teutônia vive um dos maiores processos de transformação urbana e social de sua história. Um movimento intensificado, principalmente, nos dois últimos anos, e que demandam decisões estratégicas a se refletirem também no amanhã.
Para a economista e professora da Univates, Fernanda Sindelar, o fortalecimento dos setores tradicionais aliado ao incentivo à inovação, ao planejamento urbano e à qualificação da infraestrutura aparecem entre os principais caminhos para que a Capital do Canto Coral mantenha um crescimento econômico sustentável e a competitividade regional.
Segundo ela, o município já apresenta economia diversificada e equilibrada, sem ampla dependência de um só segmento. Entre os destaques, cita o setor agropecuário — especialmente a produção de leite, aves e suínos —, além das indústrias de alimentos, calçadistas, moveleiras, metalmecânica, além de pequenas e médias empresas dedicadas aos serviços.

“O município precisará ampliar investimentos em conectividade, infraestrutura e segurança para garantir qualidade de vida tanto para quem já reside aqui quanto para quem chega”, analisa Fernanda Sindelar. Foto: Arquivo Pessoal
Modernização é fundamental
Para Fernanda, o desafio principal para as próximas décadas passa pela proteção das atividades tradicionais e, ao mesmo tempo, pela modernização da matriz econômica local. “Teutônia possui uma forte cultura de emprego formal, o que garante estabilidade. Porém, é necessário oxigenar o ambiente urbano, estimulando o empreendedorismo e a implantação de novos ramos de atuação, afirma.
Ela também destaca a importância de investimentos em planejamento e infraestrutura, especialmente após os eventos climáticos registrados em 2023 e 2024, que contribuíram para a chegada de empresas e famílias vindas de outras regiões. “O município precisará ampliar investimentos em conectividade, infraestrutura e segurança para garantir qualidade de vida tanto para quem já reside aqui quanto para quem chega”, observa Fernanda.
Outro aspecto ressaltado é o papel histórico do cooperativismo e do associativismo. As organizações integradas a tais modelos exercem influência que vai além da atividade econômica. Logo, necessitam de atenção constante para se manterem fortes e atuantes, pois mais que o retorno financeiro, promovem ações que fazem a diferença na vida das comunidades.
Serviços qualificados
Ao analisar a mudança no perfil urbano, a especialista afirma que Teutônia já vive uma realidade distinta daquela tradicionalmente associada às pequenas cidades do interior. Segundo ela, o aumento do fluxo de pessoas, veículos e empreendimentos exige projetos de mobilidade mais robustos e execuções céleres.
Ela lembra que crescimento histórico ocorreu de forma descentralizada, mas hoje há maior integração entre os bairros. Paralelamente, a evolução do saneamento, abastecimento de água, segurança pública, saúde e educação precisarão estar sempre no radar das administrações.
Envelhecimento populacional
A inversão da pirâmide etária aparece entre os temas apontados como prioritários para as próximas décadas. Hoje, a expectativa de vida em Teutônia, por exemplo, é de 76 anos. No entanto, fatores como a tranquilidade e a natureza tendem a ampliar a longevidade populacional, o que exigirá a ampliação de políticas públicas voltadas aos idosos.
“Será preciso garantir que essa longevidade venha acompanhada de independência, saúde e relevância econômica”, afirma Fernanda. A criação de espaços acessíveis e seguros e ações de saúde adaptadas às necessidades da terceira idade são primordiais.
Retenção de talentos e mão de obra
A dificuldade de atrair e manter jovens profissionais qualificados também foi apontada. Segundo a economista, as novas gerações buscam carreiras mais flexíveis, inovadoras e alinhadas a propósitos profissionais diferentes dos modelos industriais tradicionais.
Para ela, o município deve investir na criação de um ecossistema de inovação conectado às demandas regionais, com a aproximação de empresas, cooperativas, universidades e parques tecnológicos.
“O município precisa criar um ambiente capaz de gerar inovação, tecnologia e soluções para os problemas da cidade e arredores”, destaca. Ela cita como exemplo a integração com a Univates e o Tecnovates.
Entre os principais entraves, a escassez de mão de obra. Segundo ela, a baixa taxa de desemprego registrada no município já impacta setores tradicionais, que enfrentam dificuldades para preencher vagas operacionais.
“Precisamos atrair empresas mais tecnológicas e fomentar setores que demandam menos mão de obra operacional e sejam mais atrativos para a permanência dos jovens trabalhadores”, acrescenta,
A questão ambiental também é citada como ponto de atenção, especialmente devido à forte atividade pecuária. será necessário ampliar investimentos em tecnologias de manejo e tratamento de resíduos para evitar impactos ao solo e aos lençois freáticos.
“A cidade possui potencial para crescer de forma organizada e sustentável, desde que esse avanço seja conduzido por um planejamento público e privado consistente e alinhado ao plano diretor”, conclui.