A ex-diretora, ex-orientadora e ex-professora Zélia Maria D´Avila nasceu em 5 de outubro de 1957. Natural de Bom Retiro do Sul, desenvolveu a carreira na educação de Teutônia, tendo atuado na equipe da Secretaria de Educação na primeira administração de Elton Klepker, em 1983. Dirigiu a Escola de Educação Infantil Cirandinha, mantida pelo Clube de Mães Lar da Amizade e a EMEF Teobaldo Closs, ambas no Bairro Canabarro, além de ter sido supervisora nas EMEFs Guilherme Sommer (Vila Popular) e Guilherme Rottermund (Linha Harmonia) e de ter atuado como professora na Escola Estadual Reynaldo Affonso Augustin, também no Bairro Canabarro. Hoje com 69 anos, aposentada, se dedica à arte em empresa de decoração de eventos.
De onde és natural?
Zélia Maria D´Avila – Sou natural de Bom Retiro do Sul, mas vim residir em Teutônia aos 16 anos. Me considero teutoniense de coração. Sou filha de pai agricultor e mãe professora e acabei sendo a profissão da minha mãe, me tornando educadora.
Qual a sua história na educação?
Zélia – Eu fui convidada para integrar a equipe pedagógica na primeira administração do prefeito Elton Klepker (in memoriam), em março de 1983. Fiz parte daquela equipe integrada pelo secretário de Educação Selby Wallauer, sua esposa Cliza, que era supervisora geral, e a professora Célia Hunsche. Trabalhei por cerca de um mandato e meio, até meados da década de 1980, e então recebi um convite pra assumir a direção da Creche Cirandinha, do Clube de Mães Lar da Amizade. Logo em seguida abriu concurso aqui no município. Como o professor municipal aqui é bem remunerado, me dediquei e passei no concurso, que era muito disputado. Passei então a fazer parte da Educação, efetivada na supervisão escolar, e me aposentei há nove anos, quando completei minha missão.
Mas realizaste outras atividades durante este tempo?
Zélia – Sim. Eu tinha passado há cerca de um ano no concurso e daí a secretária de Educação, Cliza Wallauer, me convidou pra assumir a direção da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Teobaldo Closs, no Bairro Canabarro, onde fiquei quase 15 anos. Isso foi na década de 1990. Trabalhei também na EMEF Guilherme Rottermund, em Linha Harmonia, por um ano, antes da Teobaldo, e encerrei meu ciclo na supervisão da EMEF Guilherme Sommer, com aproximadamente 12 anos, totalizando 30 anos de atuação no município. Concomitante a isso, eu trabalhava 20 horas como professora na Escola Estadual Reynaldo Affonso Augustin, lecionando filosofia, religião, educação moral e cívica, matérias para as quais não havia uma formação específica.
Como era trabalhar com ensino na época e como está o ensino hoje?
Zélia – Não era fácil, principalmente quando eu trabalhava à noite com a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Muitos alunos eram adolescentes e tinha que ter muito pulso firme. Às vezes a gente era taxada de durona, de diretora braba, ficava com aquela fama. Era muito desafiador com os alunos, embora os pais adorassem a ideia. Eu acredito que hoje está igual, pelo que ouço dos ex-colegas que seguem trabalhando, as reclamações, aquela falta de vontade de estudar à noite, matar aula, passar a conversa, o que é normal dos adolescentes
Qual a importância do trabalho na educação?
Zélia – Às vezes a gente pensa que não fica muito no aluno, mas permanece sim. A gente fez parte da história dos alunos e quando encontro com eles na rua a gente vê que teve um papel importante de marcar, de trazer memórias. Quando ex-alunos me dizem que me incomodavam, eu digo que não lembro, que sou igual Jesus Cristo, que eu esqueço as coisas ruins e só guardo as coisas boas. Acredito que meu papel na época foi contribuir para que cada aluno se tornasse um ser humano melhor. Essa era a nossa bandeira. Todo educador é assim: ele entra, pega aquela pedra bruta, os valores que a criança tem, e vai polindo para transformá-lo num cidadão de bem, num futuro chefe de família, num bom profissional. E é tão bom a gente ver os nossos alunos formados como advogados, enfermeiros, médicos. É muito gratificante.
E desde quando trabalhas com a empresa de decoração?
Zélia – Iniciei quando ainda era professora, há mais de 20 anos. Eu não trabalho, eu me divirto, porque adoro. É gratificante. Criar é o meu chão. Montar cenários são desafios que eu gosto muito. E a melhor sensação é quando um cliente me diz que meu trabalho ficou melhor do que o esperado. Não tem dinheiro que pague. Enquanto eu tiver saúde e vida com certeza vou continuar. Mesmo no tempo em que eu atuava na EMEF Guilherme Sommer eu já auxiliava a professora Raquel Feyh a montar os shows de Natal, a confeccionar os figurinos e criar os cenários. Nunca deixei de puxar para o lado da arte. Quando fui diretora na EMEF Teobaldo Closs, vencemos o concurso de pátio mais bonito e fomos premiados pela Certel. Entendo que o educador tem que ser um artista. Ele precisa fazer verdadeiros malabarismo, encantar o aluno para alcançar o objetivo. Então, acho que a arte de ensinar está dentro de cada professor.