“Um desrespeito ao descanso de quem partiu e à história dos antepassados”. É assim que moradores de Linha Clara definem os ataques ocorridos no cemitério da comunidade. O local foi novamente alvo de vandalismo entre o fim de semana e a noite da última segunda-feira, 25.
Argolas, placas, letras, objetos e até fotos estão entre os materiais roubados. Em alguns, as imagens dos falecidos estão jogadas sobre as lápides, pois nem mesmo as bordas passaram ilesas da ação criminosa.
A reportagem do Informativo Regional esteve no local na tarde de quarta-feira, 27, e constatou que mais de 90% dos túmulos sofreram algum tipo de dano. Alguns ficaram totalmente sem identificação. Apenas os mais antigos passaram ilesos, uma vez que informações eram registradas diretamente na pedra.
De acordo com familiares de alguns sepultados, a situação ocorreu pela segunda vez, mas agora de forma mais ampla. Um dos fatores atribuídos é a falta de segurança no local.
O cemitério não possui proteção lateral e nem câmeras de vigilância. Portanto, qualquer pessoa consegue acessá-lo sem dificuldade. Além disso, não há moradores próximos, uma vez que está localizado ao lado da estrada. Do outro, fica a EMEF Dom Pedro I e defronte às plantações. Acredita-se que o crime foi praticado por mais de uma pessoa, dada a quantidade de ataques.
“Um cemitério de indigentes”
A Associação Escolar Dom Pedro I é a responsável pelo cemitério. Conforme o presidente Eloi Wiebusch, a sensação é de revolta e tristeza. “Hoje, se alguém viesse nos visitar, temos um cemitério de indigentes, essa, na verdade, é a palavra certa. O estrago foi muito maior do que eu pensava. O que mais me dói é o é que se perde muita história com isso. Querem roubá-la, mas não vão conseguir! Nós vamos tentar reconstruir e iremos recuperar muita coisa. Outros será impossível, porque não há mais descendentes dos sepultados. A gente não sabe o que fazer para nos prevenirmos”, lamenta.
Sobre o videomonitoramento, Eloi afirma que a escola já possui um equipamento, mas seria necessário um reforço. Logo, a comunidade geral pode ajudar. Uma das primeiras medidas tem sido o contato com as famílias para tentar recuperar os dados e auxiliar na possível reidentificação. As informações estão arquivadas na Paróquia e podem ser consultadas.
Ocorrência
Conforme o delegado da Polícia Civil de Teutônia, Rogério Auler, um boletim de ocorrência foi registrado pela prefeitura ainda na quarta-feira e o caso está sob investigação. Ainda não há suspeitos. A BM informou que buscará mais informações sobre os fatos, a fim de auxiliar nos trabalhos e, na medida do possível, reforçar o policiamento.
O crime aciona o sinal de alerta às demais comunidades, pois tem sido recorrente no Vale. Houve casos recentes em municípios como Lajeado, Estrela e Marques de Souza.