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LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL

Justiça centraliza ações de cobrança contra a Languiru

Determinação impede o avanço de execuções individuais enquanto a cooperativa negocia o pagamento de credores

20/06/2026 | 18:00 Atualização: 20/06/2026 | 20:21
| Foto: Marcel Lovato
| Foto: Marcel Lovato

A Justiça determinou a centralização de cerca de 70 execuções movidas contra a Cooperativa Languiru e suspendeu cobranças individuais durante o processo de liquidação extrajudicial. A medida impede bloqueios isolados de contas, penhoras e outras restrições sobre bens e recursos da cooperativa.

A decisão foi proferida pelo juiz Luís Gustavo Negri Garcia, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Teutônia. Com a determinação, as cobranças passam a ser reunidas em um único processo. A medida não extingue as dívidas, mas altera a forma de tramitação das ações judiciais enquanto a liquidação estiver em andamento.

Como contrapartida à suspensão das execuções, a Languiru ofereceu a penhora de 0,2% do faturamento bruto mensal. Como a receita atual mensal se aproxima de R$ 50 milhões, o valor destinado aos credores abrangidos pelas ações ficaria em torno de R$ 100 mil.

A cooperativa está em liquidação extrajudicial desde julho de 2023. O pedido à Justiça foi apresentado para evitar que execuções individuais resultassem em novas restrições patrimoniais e comprometessem a operação.

A decisão não alcança todos os credores incluídos na relação da liquidação. Algumas negociações já estavam em estágio avançado e poderiam gerar bloqueios de contas ou constrições sobre bens.

Conforme dados apresentados pela cooperativa, 53,1% do passivo já foi renegociado. Mais de 1,4 mil dos 2.966 credores aderiram ao plano de pagamento.  A redução do passivo decorre das renegociações firmadas com credores e dos descontos previstos nos acordos. Os deságios são de 50% para liquidações imediatas e credores com garantia real. Para credores sem garantia real, chegam a 75% em créditos de até R$ 1 milhão e a 70% para valores superiores.

A Languiru também revisou a estimativa de prazo para quitar as obrigações. Um estudo elaborado em 2024 projetava cerca de 20 anos para pagamento das dívidas. Com as renegociações e a retomada parcial das atividades, a projeção atual é de aproximadamente 12 anos. Em um cenário de crescimento da operação, o prazo poderia ficar entre sete e oito anos.

A cooperativa reúne aproximadamente 1,6 mil associados. Nas últimas rodadas, foram pagos cerca de R$ 1 milhão por trimestre aos credores aderentes ao plano. A projeção é elevar gradualmente esse valor até cerca de R$ 2,5 milhões por rodada.

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