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LEGADOS CULTURAIS

As danças folclóricas e suas histórias preservadas em movimento

Opinião de Glaci Kunzler Dickel, professora e instrutora de danças

19/06/2026 | 09:26

As danças folclóricas são muito mais do que uma sequência de passos realizados ao som de uma música. Elas representam a história, os costumes e a criatividade de um povo. Antigamente, as comunidades se reuniam em momentos de convivência, festas, encontros de jovens e celebrações, e nesses espaços surgiam novas formas de dançar, sempre ligadas ao cotidiano das pessoas.

Muitas dessas danças foram criadas pelo próprio povo e receberam nomes como forma de homenagem. Algumas trazem nomes de pessoas, famílias ou sobrenomes; outras fazem referência a profissões, localidades ou atividades realizadas no dia a dia. Cada denominação carrega uma lembrança, uma origem e um significado.

As coreografias também nasceram dessa ligação com a vida real. Os movimentos muitas vezes representam objetos, ferramentas, trabalhos ou situações vividas pela comunidade. Um exemplo é a dança Mühlrad (roda de moinho), na qual os próprios movimentos lembram o funcionamento de uma roda de moinho. Assim, cada figura coreográfica tem uma razão de existir e conta uma parte da história daquele povo.

Por isso, uma dança folclórica tradicional não deve ser vista apenas como uma apresentação artística que pode ser modificada livremente. Seus passos, suas figuras e sua estrutura fazem parte de uma memória coletiva construída ao longo do tempo. Alterar seus movimentos pode significar perder elementos que foram transmitidos por gerações.

Preservar uma dança folclórica é preservar histórias, valores e identidades. Cada passo carrega a lembrança de pessoas que viveram antes de nós, que encontraram na música e na dança uma maneira de celebrar, unir a comunidade e manter viva a sua cultura.

A dança folclórica é, portanto, um patrimônio em movimento: ela não está apenas nos palcos, mas na memória e no coração daqueles que continuam a praticá-la e transmiti-la.

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