Coordenador da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Teutônia e Westfália, José Odemar Martins completa 65 anos em 26 de julho. Filho de agricultores e natural de Fazenda Vilanova, na época pertencente a Bom Retiro do Sul, ele veio a Teutônia com 16 anos, seguindo os passos das duas irmãs e iniciando suas atividades na Calçados Augustin e Reichert, em 18 de junho de 1978. Casado com Marelisa, eles têm dois filhos – os gêmeos Wilian, formado em Administração, e Janaína, formada em Psicologia – que hoje possuem 33 anos e que escolheram atuar ao lado dos pais na Padaria Delícia de Pão.
Como foi sua experiência na indústria calçadista?
Martins – Vim para cá com o objetivo de trabalhar e estudar. Fiz curso de eletrotécnica e comecei a trabalhar na manutenção elétrica da Augustin e Reichert por 10 anos, até 1987. Naquele ano, surgiu uma oportunidade e me mudei para Estância Velha, onde o curtume Bender Schuck, um dos maiores do Brasil, estava passando por uma reformulação. Fui para lá ajudar na transformação elétrica, porque eles tinham a tensão de 220 volts e convertemos tudo para 380 volts. Tínhamos que rebobinar todos os motores, fazer quadros de comando novos. Foi um tempo muito bom no Vale do Sinos, porém, como nossas famílias estavam aqui, decidimos retornar no ano 2000, para facilitar o cuidado com as crianças.
Desde quando participas da comunidade católica?
Martins – Mesmo antes de casar, a gente já participava bastante da igreja, do grupo de jovens, de reuniões e de formações. Em Estância Velha, nos inserimos também na igreja. Voltamos pra cá e logo nos engajamos novamente na comunidade, até porque já pertencíamos a ela e tínhamos muitos amigos aqui. Nosso retorno se deu muito em virtude disso, porque as nossas raízes estavam aqui.
Quais as funções que já realizaste na Paróquia?
Martins – A gente ingressou no movimento chamado Renovação Carismática Católica. Ajudamos a fundar o grupo de oração Emanuel, que reunia, todas as quintas-feiras à noite, uma média de 180 a 200 pessoas. Depois fui coordenador diocesano do Encontro de Casais com Cristo, atuei como ministro da Eucaristia, ministro de Ezequias e, ainda, na ausência dos padres, atuo até hoje nas encomendações e sepultamentos.
Como é o preparo para exercer as atividades dentro da igreja?
Martins – A gente precisa de muita formação, porque ninguém ama aquilo que não conhece, aquilo que não vive. Sempre estamos em formação, sempre temos algo a aprender. Ainda em Estância Velha, eu fiz a Escola de Paulo Apóstolo, que são estudos bíblicos e de história e tradição da igreja, durante três anos. Depois cursei novamente, com apostilas novas, buscando aperfeiçoamento. Daí iniciei a ministrar formações em toda a diocese. Também fiz formações em São Paulo, em escola de formação nacional, onde se reúnem de 13 mil a 18 mil pessoas, realizando workshops e estudos para catequese de crisma e de primeira comunhão. Já auxiliei como catequista na preparação de casais para o matrimônio. Atualmente, sou catequista de batismo e, ao lado da minha esposa, estamos completando o quarto ano como coordenadores da paróquia.
Qual é o sentimento em participar?
Martins – Sentimento de alegria, de cumprir com a missão, de ajudar as pessoas. Quando somos chamados, vamos nas casas visitar as pessoas, levar a Eucaristia para as pessoas doentes. Então, tenho também o sentimento de satisfação em ajudar as pessoas na vida espiritual.
Qual a sensação em ter acompanhado o crescimento da Paróquia?
Martins – Considero o crescimento da Paróquia Nossa Senhora do Rosário algo extraordinário. Na época, reuniram cerca de 50 famílias para a fundação. Graças à dedicação de muitas pessoas, foi construída a primeira igreja, que hoje é a sala de reuniões. O Curtume Augustin doou o terreno, a Mecânica Guarani doou o telhado e, em poucos anos, iniciaram a construção do ginásio. A comunidade foi crescendo e logo surgiu a necessidade de construir a igreja nova. As pessoas foram muito persistentes, auxiliaram e buscaram o apoio de empresas.
E como está o projeto de revitalização da igreja até o Jubileu de Ouro, em 2033?
Martins – Estamos fazendo todo esse movimento. Já foi feita a substituição de todo o telhado, a troca do sistema de som interno da igreja e a reforma dos sanitários. Ainda neste mês de julho queremos iniciar a reforma da parte frontal. Temos muita fé e esperança que em 2033 a igreja esteja toda revitalizada, dando continuidade ao que se iniciou há 50 anos. A comunidade merece. Somos uma das paróquias mais fortes da Diocese de Montenegro. Temos um povo participativo, que gosta muito de rezar e também de se encontrar e de festejar. E é essa alegria que caracteriza a igreja: lógico que o principal é a fé e a oração, mas a convivência entre as pessoas faz toda a diferença, porque a amizade vai se solidificando. Isso é muito importante.