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ILUSTRE CIDADÃ

“Sempre gostei do relacionamento com as pessoas e tudo isso me engrandeceu”

O quadro Ilustre Cidadã Sandra Sulzbach

Por: Marco Mallmann

24/07/2026 | 09:39
Sandra Sulzbach
Sandra Sulzbach

A funcionária pública aposentada Sandra Sulzbach tem 68 anos. Casada com Luís Sulzbach, tem dois filhos e cinco netos. Natural de Linha Wink, onde sempre residiu, teve uma experiência de três anos na Câmara de Vereadores de Estrela antes de ser convidada a trabalhar em Teutônia pelos então vereadores Egon Édio Hoerlle e Wily Ricardo Wolf, que a apresentaram ao primeiro prefeito, Elton Klepker. Acumulou, no início de suas atividades em Teutônia, o cargo de secretária da Câmara de Vereadores, quando as sessões ainda ocorriam no prédio onde hoje é a subprefeitura do Bairro Canabarro, junto com o trabalho na prefeitura. Foi servidora pública por 32 anos e passou por diversas áreas da administração. Em 2010, teve um câncer de mama e venceu a doença. Agora, com muita tranquilidade e alto astral, se prepara para um novo tratamento, após diagnóstico positivo.

Qual tua origem e formação?

Sandra Sulzbach Nasci em 13 de março de 1958, no Hospital de Estrela. Tive “sopro” e sempre fui uma criança muito bem cuidada. Aos 18 anos, em 1976, depois de vários exames e viagens de ônibus, realizei a cirurgia para corrigir o problema da válvula do coração no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre. Concluí o Magistério no Colégio São Antônio, em Estrela, onde lecionei durante dois anos, antes de ser aprovada no concurso público para atuar na Câmara de Vereadores de Estrela. Depois, ainda na década de 1980, concluí o curso de Letras na Fates, hoje Univates, e cheguei a lecionar durante um ano, no final daquela década, na Escola Cenecista, no Bairro Canabarro, da 5ª série até o 3º ano do Ensino Médio.

Como foi essa transição de Estrela para Teutônia?

Sandra Foi um grande desafio, porque eu era concursada em Estrela e vim a Teutônia empolgada para iniciar num município novo, sem vícios, sem dívidas. Me senti feliz e valorizada porque eu possuía os requisitos: tinha experiência na Câmara, sabia falar alemão – que era muito importante na época – e atendia a todos com simpatia e disposição, sem distinção entre ricos ou pobres, velhos ou jovens, brancos ou pretos. O Klepker queria um atendimento sem burocracia, queria que tudo fosse resolvido no momento em que o munícipe buscava um serviço, ou ao menos que ele saísse satisfeito, porque Teutônia, Languiru e Canabarro se emanciparam justamente por se sentirem abandonados por Estrela. Então, o prefeito não queria cometer o mesmo erro no novo município.

Quais foram os principais desafios no serviço público? 

Sandra Atuei como secretária da Câmara, que tinha sessões às quartas, na subprefeitura de Canabarro. Não havia nada de material. Eu pegava o ônibus e levava o gravador para gravar as sessões. Eu tive que organizar mesas e cadeiras e também levava o cafezinho. Na prefeitura, aprendi diversas funções, porque éramos em número muito reduzido e tínhamos que dar conta de tudo o que o prefeito precisava. Em Languiru, havia a área da engenharia, da administração, da contabilidade, a tesouraria e a Junta do Serviço Militar, que era obrigatória. O Klepker tinha o controle de tudo. Daí ele começou a projetar o Centro Administrativo e necessitava elaborar o decreto de desapropriação. Com o mapa da área em mãos, coloquei o nome dos proprietários, delimitando os 95 hectares. As tentativas de acordo foram muito dolorosas, pois nem todos concordaram. Houve até uma tentativa de cassação ao prefeito, que não vingou. Quando foi lançada a pedra fundamental, surgiu um grupo de pessoas com facões, enxadas, pás e tratores com um boneco que eles incendiaram, manifestando seu descontentamento. Muitos deles já estavam insatisfeitos porque ainda não haviam recebido, do governo do RS, pela parte desapropriada para a abertura da Via Láctea. É uma pena, porque isso atrapalhou um pouco o projeto que se tinha para todo o complexo do Centro Administrativo. Teríamos tido uma quantidade maior de serviços centralizados para atender a população. 

Qual é o teu sentimento pelos 32 anos dedicados ao serviço público?

Sandra Foi muito bom, porque eu pude fazer e aprender muita coisa, eu tinha liberdade, pude desenvolver minha criatividade. Até para organizar as Festas de Maio, por exemplo, eu era chamada. Aprendi muito com as lideranças, com as pessoas idosas. Eu recebia as excursões, falava sobre a história de Teutônia. Sempre gostei do relacionamento com as pessoas e tudo isso me engrandeceu. Em Teutônia passei por tudo: licitação, compras, fui secretária de Administração, da Saúde, enfim. Éramos uma família e tínhamos que dar conta das necessidades que surgiam.

E a sensação hoje quando Teutônia tem 45 anos de existência?

Sandra Ajudei a construir essa história e a evolução é muito grande. Um município que passou de 12 mil para mais de 35 mil habitantes. São pessoas que vieram de todos os lugares e todos foram muito bem-vindos e contribuíram para o crescimento e o desenvolvimento. Admiro e participo de eventos do canto coral e entendo que estamos perdendo um pouco essa tradição. Penso que Teutônia perdeu na área da cultura, mas compreendo que o progresso está aí e é difícil julgar. Acredito que todos os prefeitos realizaram o que foi possível, porque a burocracia aumentou bastante, as leis estão bem severas e hoje tudo é muito diferente de como era em 1984. O próprio funcionalismo sobrecarrega o município. Ter tantas secretarias é demais para uma máquina administrativa que não produz dinheiro, apenas administra os recursos do povo.

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