LEGADOS CULTURAIS

Leopoldina

Opinião do Pastor Dr. Martin Norberto Dreher, teólogo, professor, escritor e pesquisador

04/09/2026 | 10:27

O dia 2 de setembro, a cada ano que passa, não é comemorado no Brasil. Comemorações acontecem no dia 7 e mencionam Pedro. Próxima à minha residência à avenida de nome Leopoldina. Antepassados de minha esposa repousam no cemitério de Linha Leopoldina. Encontrei outras Linhas Leopoldina em viagens e lembro que no Sul da Bahia foi criada nos primórdios do século 19 uma Colônia Leopoldina. Particularmente, resido em uma cidade cujo nome reverencia o santo nacional da Áustria: São Leopoldo. Pois foi da Áustria que veio ao Brasil jovem princesa para tornar-se esposa de Pedro, filho de D. João VI, então com 18 anos. O ano era 1817, ela tinha 20 anos e seu nome era Leopoldina. No Brasil passou a ser conhecida como Maria Leopoldina. Deu seu nome a localidades, cidades, avenidas, mas teve importância maior.

Era poliglota, trouxe consigo pesquisadores, pintores. Logo envolveu-se em política e verificou que se o Brasil não se separasse da metrópole se esfacelaria em uma infinidade de unidades, como acontecia com as colônias espanholas na América. Quando seu sogro retornou a Portugal, em 1821, e Pedro foi designado “Regente” do Brasil foi ela quem o convenceu a permanecer. No ano seguinte, quando Pedro viajou pela Província de São Paulo para tentar manter o Brasil unido, ela assumiu a regência e a presidência do Conselho de Estado. Quando ordens vindas de Lisboa exigiram que ela e Pedro retornassem a Portugal, Leopoldina, no exercício de sua presidência, junto ao conselheiro José Bonifácio de Andrada, declarou o Brasil separado de Portugal. Era 2 de setembro de 1822. Logo enviou cartas ao esposo que as recebeu em São Paulo, a 7 de setembro. Essa última data, depois, passou a ser a data da independência e o 2 de setembro caiu no esquecimento.

Enquanto aguardava o retorno do marido, Leopoldina delineou o que seria a bandeira do Brasil, com as cores da Casa de Bragança, o Verde, e da Casa dos Habsburgos, o Amarelo.

Boa política, Leopoldina sabia que para manter um Brasil independente era necessário ter exército próprio. Tropas portuguesas poderiam promover contrarrevolução. Por isso, enviou seu secretário à Europa para recrutar soldados. Seu nome era João Jorge von Schaeffer. Esses soldados vieram misturados aos agricultores. Os soldados ficaram no RJ, os agricultores foram enviados para um novo modelo agrícola em São Leopoldo. 

Como mulher, Leopoldina sofreu sob a infidelidade do marido. Teve 9 gestações. Nem todas as crianças sobreviveram. Maria da Glória seria rainha de Portugal, Pedro Imperador do Brasil. Leopoldina faleceu aos 29 anos, em 11 de dezembro de 1826. Devemos lembrar dela, pelo menos no 2 de setembro.

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