
A rotina no campo acompanha Otávio Landmeier desde a infância. Filho de agricultores, ele encontrou na atividade rural seu propósito. Aos 64 anos, mantém a produção de leite e a criação de suínos em uma propriedade de 12,5 hectares, em Linha Paissandu, no interior de Westfália.
O rebanho conta com 18 vacas das raças Holandesa e Jersey, responsáveis por uma produção diária entre 300 e 400 litros. Na suinocultura, são cerca de mil animais, mantidos em parceria com a filha e o genro, que vivem nas proximidades.
Otávio iniciou a trajetória profissional em 1980, quando concluiu o curso Técnico em Agropecuária no Colégio Teutônia. Depois, estagiou em uma granja em Panambi. Ao retornar, trabalhou por cinco anos na Cooperativa Languiru. Em 1987, passou a se dedicar à produção.
A decisão de voltar ao meio rural contrariou um hábito de sua geração. “Ao contrário de outros da minha geração, voltei para o interior. Aqui me sinto bem. A vida é tranquila e estou em contato com a natureza”, relata.
Transformações e dificuldades
Nos primeiros anos, o trabalho era predominantemente manual. Com o tempo, a tecnologia transformou o dia a dia, em especial no sistema de alimentação dos animais. Reduziu-se o esforço físico e os processos ficaram mais ágeis.
Apesar dos avanços, os desafios para a permanência no campo aumentaram. Entre os principais, estão os custos elevados, exigências sanitárias e ambientais, os riscos climáticos frequentes e a desvalorização dos produtos. “Tem que gostar do que faz. Ser agricultor não é fácil. É necessário um investimento muito alto, e a margem de lucro é pequena. Às vezes, trabalha-se no vermelho”, afirma Otávio.
Segundo Otávio, parte significativa da renda gerada no campo acaba transferida para os centros urbanos por meio da compra de máquinas, insumos, combustíveis e serviços.
Futuro
Para Otávio, a continuidade da agricultura dependerá de melhores condições de remuneração e segurança para investir. Organização, persistência e diversificação das atividades também são consideradas fundamentais para enfrentar o cenário.
Apesar disso, a paixão pelo negócio fala mais alto. “Produzir alimentos é uma função nobre para a humanidade”, enfatiza Otávio. As tarefas, acrescenta, também contribuem na manutenção da saúde física e mental ao preservar o contato com a natureza e o movimento.