ILUSTRE CIDADÃO

“Ver ex-alunos se destacando traz sentimento de realização como professor”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Vitor Ernesto Krabbe

Por: Marco Mallmann

31/07/2026 | 09:13 Atualização: 31/07/2026 | 09:14
Vitor Ernesto Krabbe
Vitor Ernesto Krabbe

O professor Vitor Ernesto Krabbe tem 59 anos. Nascido em 26 de agosto de 1966, em Linha São Jacó, possui uma vasta experiência como educador, com 39 anos de atuação. Formado pela Unisinos, de São Leopoldo, em Letras – Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Portuguesa, Língua Alemã e Literatura Alemã (estes últimos pelo Instituto de Formação de Professores de Língua Alemã – IFPLA –, também dentro da Unisinos) no período de 1984 a 1987, possui pós-graduação em Educação Inclusiva, realizada no ano de 2006. É casado com Gleonita Dutra Krabbe e pai de Susana Iasmine Krabbe.

Quando iniciaste a atividade como professor e onde lecionaste? 

Vitor Ernesto Krabbe Iniciei em 10 de março de 1988, no Colégio Cenecista General Canabarro. Após, ingressei na Escola Evangélica Vila Schmidt (Westfália), e atuei também na Escola Evangélica de Canabarro e na Escola Estadual Gomes Freire de Andrade. 

Atualmente leciono na Escola Estadual de Ensino Médio Reynaldo Affonso Augustin e no Colégio Teutônia.

Quais são as diferenças mais marcantes quando iniciaste a carreira de professor para hoje em dia?

Krabbe Antigamente, o professor era a fonte central do conhecimento. Hoje, a informação está em todo lugar, e o nosso papel migrou para o de facilitador e mediador, ensinando o aluno a filtrar e a analisar criticamente a infinidade de informações que recebe. A tecnologia trouxe dinamismo, mas também o desafio de competir pela atenção dividida dos estudantes. No passado, a autoridade do docente vinha integrada ao cargo. Atualmente, o respeito precisa ser conquistado pelo diálogo, em um ambiente mais horizontal, no qual o respeito mútuo é fator essencial para uma relação mais saudável. Hoje, lecionar exige muito mais jogo de cintura e inteligência emocional do que há quatro décadas, embora o brilho nos olhos de um aluno que finalmente compreende o conteúdo continue sendo o mesmo.

Como foi a experiência na política?

Krabbe Foi uma experiência de muito aprendizado e, acima de tudo, gratificante. Contudo, na política, logo se descobre que nem todos os planos saem do papel da forma como imaginamos, pois muitas situações fogem do nosso controle. Todavia, a experiência docente e diálogo com os estudantes foram fundamentais para colocar propostas importantes em prática. No fim, ver o resultado do trabalho mudando a vida das pessoas da comunidade para melhor faz todo o esforço valer a pena. No futuro, pretendo concorrer novamente, pois penso que ainda tenho muito a oferecer para Teutônia.

Qual a sensação em saber que ex-alunos se destacam em diversos setores?

Krabbe – É uma sensação de realização profissional e dever cumprido, visto que o objetivo principal de ensinar é preparar as pessoas para que construam seus próprios caminhos com autonomia, com responsabilidade e com empatia. Ver ex-alunos se destacando nos mais diversos setores traz uma profunda sensação de realização e satisfação como professor, pois é a comprovação de que o empenho trouxe resultados positivos e que o conhecimento compartilhado gerou resultados reais e positivos.

E como te sentes quando um ex-aluno vem ao teu encontro?

Krabbe – É muito gratificante quando um ex-aluno me reconhece e, mais ainda, que vem falar comigo. Isso significa que houve um relacionamento bom. E, ao mesmo tempo, faz com a gente se sinta um pouco parte da história e do desenvolvimento dessa pessoa. Certa vez, fui fazer um curso na Alemanha e estava sentado no aeroporto em Frankfurt esperando o horário do embarque no avião. De repente, veio uma pessoa ao meu encontro e eu, em princípio, não me lembrava dela. A pessoa me chamou pelo nome, se identificou e daí verificamos que eu tinha sido professor dela 15 anos antes. São situações muito gratificantes, que fazem com que a gente perceba que essa relação teve um significado para essa pessoa. Infelizmente, alguns a gente não reconhece mais, porque foram alunos da gente quando tinham 12, 13 anos, e agora, aos 35, 40 anos, já têm uma fisionomia totalmente diferente.

Como resumes o papel da educação na formação da sociedade?

Krabbe – Após 39 anos de chão de escola e de atuação na gestão educacional, penso que a educação transforma vidas e amplia horizontes, pois ela oferece oportunidades, mostra os caminhos possíveis para que a pessoa possa fazer suas escolhas, desperta talentos e permite que cada pessoa desenvolva suas capacidades, alcançando objetivos que antes pareciam distantes. Não significa apenas ser um caminho para melhorar de vida, mas de se sentir bem naquilo que se está fazendo. A função da escola e da educação é apresentar esse “cardápio” existente para que o aluno possa fazer sua escolha. Vejo mais ainda outra situação: com o advento da tecnologia, existe a questão das muitas informações que o aluno tem acesso, sendo que o papel do educador é filtrá-las e transformá-las em conhecimento. Ouvi certa vez uma frase que diz que hoje temos informações do tamanho do Oceano Pacífico, mas com a profundidade de um pires. E é essa questão que temos que trabalhar. Há ainda a necessidade de aprofundar o relacionamento interpessoal, a conversa entre as pessoas, que faz com que a gente se torne muito mais humano em meio a toda tecnologia que está disponível. A educação promove o despertar do pensamento crítico: as pessoas aprendem a questionar, a analisar informações e a tomar decisões conscientes, tornando-se cidadãos mais participativos e responsáveis. 

 

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