PREPARO DA SAFRA

Planejamento e resiliência para enfrentar o clima adverso

Emater-RS/Ascar defende plantio alinhado com gerenciamento de riscos

Por: Marcel Lovato

02/08/2026 | 11:32
Umidade em excesso nas lavouras é um dos desafios da safra em Teutônia nesta temporada (Foto: Marco Mallmann)
Umidade em excesso nas lavouras é um dos desafios da safra em Teutônia nesta temporada (Foto: Marco Mallmann)

As recentes chuvas e a indicação de uma frequência maior de precipitações nos próximos meses devem reduzir os períodos disponíveis para o plantio e influenciar também na colheita em Teutônia e região. Esse impacto se estende à pecuária, uma vez que a produção de silagem, item essencial para a dieta dos rebanhos, está atrasada.

Conforme o chefe do escritório local da Emater-RS/Ascar, Carlos Fries, o excesso de umidade também dificulta a entrada das máquinas nas lavouras e obriga a concentração dos trabalhos em intervalos menores. Dessa forma, a orientação é aproveitar os períodos de melhoria. “O ideal é não esperar para iniciar o plantio, mas fazê-lo com cautela e cuidado. No caso do milho, costumamos dizer ao produtor que ele deve ter a lavoura pronta em 1º de agosto”.

Caso as previsões se confirmem, a tendência é de dificuldades para o cumprimento do calendário agrícola. Ainda assim, quem conseguir plantar dentro do período adequado, ou seja, no máximo ao longo de agosto, poderá alcançar uma boa safra. Segundo Fries, a planta consegue manter o ciclo de desenvolvimento mesmo sob muita chuva, desde que não permaneça submersa. Eventos extremos, como granizo e vendavais, também podem causar danos diretos e comprometer lavouras já implantadas.

O risco de perdas é maior nas lavouras de várzea e em terrenos onde a água encontra dificuldades para escoar, seja por conta do relevo ou até mesmo devido ao processo de urbanização. Essas áreas tornam-se, conforme Fries, inutilizáveis.

Manejo e proteção

Em Teutônia, o milho destinado à produção de silagem ocupa aproximadamente 4,2 mil hectares. Outros 1,3 mil hectares são cultivados com milho em grão. A soja, cujo período de plantio ocorre principalmente entre outubro e dezembro, ocupa cerca de 500 hectares. As culturas de inverno, como o trigo, perderam espaço gradativamente no município ao longo dos últimos anos.

Entre as práticas recomendadas para diminuir os riscos estão o escalonamento do plantio, o mínimo revolvimento do solo, a manutenção da cobertura vegetal e o cultivo em nível. O escalonamento distribui a semeadura em diferentes períodos e evita que toda a produção fique exposta, ao mesmo tempo, às condições meteorológicas. A estratégia ajuda a diluir os riscos provocados pelo excesso de chuva, granizo ou vendavais.

O cultivo em nível acompanha a inclinação do terreno, reduz a velocidade da água e diminui a perda de solo e nutrientes. O mínimo revolvimento e a manutenção da cobertura também contribuem para conservar a estrutura e proteger a superfície contra a erosão. “A proteção do solo sempre tem de ser feita, independentemente do clima. O preparo para a resiliência climática é de médio a longo prazo”, enfatiza Fries.

A preparação da propriedade passa pela pesquisa e cotação de insumos, pela definição antecipada das técnicas conservacionistas e pelo uso racional dos recursos. Também exige organização financeira para enfrentar a alternância entre safras favoráveis e períodos de menor produtividade. Trata-se de uma proporção de 80% voltada ao planejamento e 20% à ação. O gerenciamento de riscos econômicos, sociais e ambientais é a chave do processo.

O monitoramento de doenças também precisa considerar a realidade de cada área. O aumento da umidade não significa, por si só, que será necessário tratamento. Cada lavoura apresenta uma situação específica e exige avaliação personalizada. Logo, não existe receita padrão.

Em caso de perdas

Produtores atingidos por eventos climáticos devem comunicar as perdas à prefeitura e à Emater. Conforme Fries, esses registros são fundamentais para dimensionar os prejuízos e embasar decretos de emergência.

Tais informações auxiliam os órgãos públicos e as entidades de assistência técnica na busca de alternativas capazes de amenizar os danos nas propriedades afetadas.

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