O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira,5. Com a decisão, os juros básicos da economia brasileira passam de 14,25% para 14% ao ano.
Esta foi a quarta redução consecutiva promovida pelo comitê. O ciclo de cortes começou em março, após a Selic permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026 — o maior patamar em quase duas décadas.
Em comunicado, o Banco Central informou que a diminuição gradual dos juros é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para próximo da meta. A instituição acrescentou que a decisão também busca reduzir as oscilações da atividade econômica e contribuir para o emprego, sem comprometer o objetivo de garantir a estabilidade dos preços.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação. Quando permanece elevada, encarece empréstimos, financiamentos, compras parceladas e o crédito rotativo, o que tende a reduzir o consumo. Já a diminuição dos juros pode estimular a atividade econômica, embora seus efeitos ocorram de forma gradual.
Inflação desacelera, mas acima da meta
Entre os fatores considerados na decisão está a desaceleração recente da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,06% em julho, abaixo dos 0,41% registrados em junho.
No acumulado do ano, o indicador apresenta alta de 3,51%. Em 12 meses, a variação chegou a 4,52%, pouco acima do limite superior da meta, após ter alcançado 4,80% no período anterior. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o intervalo considerado aceitável varia de 1,5% a 4,5%.
Segundo o Banco Central, a inflação geral desacelerou, mas ainda permanece acima desse limite. As medidas que buscam identificar a tendência dos preços, sem considerar oscilações temporárias, recuaram para um nível ligeiramente inferior ao teto da meta.
Cenário externo exige cautela
O Copom também destacou as incertezas no cenário internacional, especialmente em razão dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a condução da política monetária nas economias avançadas.
De acordo com o BC, esse ambiente aumenta a volatilidade dos preços de ativos e de commodities e exige cautela dos países emergentes. A elevação dos preços de combustíveis e alimentos provocada pela instabilidade internacional pode dificultar a continuidade do processo de redução dos juros.
No cenário doméstico, os indicadores apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, embora o nível de produção e consumo ainda seja considerado resistente. O mercado de trabalho permanece aquecido, enquanto os diferentes setores apresentam resultados mistos.