LEGADOS CULTURAIS

A continuidade também é responsabilidade pública

Opinião de Rosita Jussara Schneider, coralista e corretora de seguros

14/08/2026 | 09:29

Se a harmonia depende de nós, conforme a coluna de minha autoria publicada em 29 de maio, neste mesmo espaço, ela também depende das estruturas que sustentam a vida comunitária.

O canto coral não é apenas uma atividade cultural. Em Teutônia, ele faz parte da nossa identidade e constitui um verdadeiro patrimônio cultural construído ao longo de gerações. Foi através dele que muitas pessoas encontraram espaços de convivência, fortaleceram vínculos e transmitiram valores e tradições herdados de nossos antepassados. Não por acaso, o município recebeu o título de Capital Nacional do Canto Coral. E quando falamos em continuidade, estamos falando do cuidado com um patrimônio que recebeu contribuições de muitas gerações e por isso, pertence à coletividade.

A história do canto coral nasceu, em grande parte, da iniciativa de pessoas que organizaram grupos, buscaram regentes, reuniram cantores e abriram espaços para que as vozes se encontrassem, famílias que incentivaram seus filhos e jovens que aceitaram o convite para cantar. Mas um patrimônio cultural não pode depender somente da disposição daqueles que hoje dedicam seu tempo para mantê-lo vivo. E aqui entram as lideranças culturais e o poder público.

Valorizar o canto coral não deveria significar apenas apoiar apresentações ou eventos pontuais. É preciso reconhecê-lo como parte do patrimônio cultural de Teutônia e pensar em ações permanentes, como a formação de novos regentes, o incentivo a grupos infantis e juvenis, o acesso a espaços adequados para ensaios, a divulgação dos grupos existentes e das oportunidades para que crianças e jovens conheçam essa tradição.

E talvez um dos caminhos mais importantes esteja nas escolas. É na infância que a criança pode perceber que gosta de cantar, descobrir o prazer de fazer música com outras pessoas e encontrar naquele grupo um espaço de amizade e pertencimento. O canto coral escolar pode ser uma porta de entrada para os corais comunitários e, ao mesmo tempo, uma forma de aproximar as novas gerações da história cultural do lugar onde vivem.

A redução dos grupos após a pandemia deve nos fazer pensar, mas não pode nos paralisar. Temos grupos que resistem, pessoas que acreditam e um patrimônio cultural que merece continuar sendo vivido. 

O canto coral já nos deu identidade, encontros e memórias. Agora, cabe a todos nós garantir que ele continue oferecendo às próximas gerações aquilo que ofereceu às anteriores: a oportunidade de descobrir que, quando muitas vozes encontram um propósito comum, a harmonia acontece.

Patrimônio cultural não é apenas aquilo que recebemos. É aquilo que temos a responsabilidade de entregar às próximas gerações.

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