Os trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado nesta sexta-feira, 11. No Rio Grande do Sul, a paralisação foi aprovada em assembleia realizada na noite de quinta-feira, 10, e estava prevista para começar gradualmente a partir da tarde. O movimento pode afetar tanto o atendimento nas agências quanto a entrega de correspondências e encomendas.
O impacto dependerá da adesão dos funcionários em cada unidade. Até a divulgação da paralisação, não havia um balanço específico sobre o funcionamento das agências e dos serviços de distribuição no Vale do Taquari. A greve, portanto, não representa o fechamento automático de todas as unidades.
Em âmbito nacional, a mobilização foi deflagrada por volta das 22h de quinta-feira. Conforme a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), todas as 35 assembleias concluídas até o início do movimento aprovaram a paralisação, com exceção do Acre, que ainda deverá deliberar sobre a adesão.
A decisão ocorreu após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela estatal para o novo Acordo Coletivo de Trabalho. As negociações passaram por rodadas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas terminaram sem consenso.
Origem do impasse
O principal ponto de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. A proposta prevê a criação de uma comissão paritária, com prazo de até 120 dias, para discutir mudanças na gestão e no custeio do benefício. Enquanto não houver nova definição, permanecem as condições atuais do CorreiosSaúde II.
Os sindicatos contestam a ausência de garantia de que os Correios continuarão como mantenedores do plano. A categoria avalia que uma eventual alteração poderá aumentar a participação financeira dos beneficiários e comprometer o acesso à assistência médica.
Na área econômica, a proposta apresentada pela empresa estabelece reposição de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), correspondente a 4,35%, nos salários e nos principais benefícios, com efeito retroativo a 1º de agosto. O texto também prevê a aplicação integral do INPC em 2027 e vigência de dois anos para o acordo.
Apesar do avanço em relação à proposta inicial, os representantes dos trabalhadores apontam que o reajuste não contempla as gratificações de função. Também questionam a situação de cláusulas suspensas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) entre elas o vale extra, a gratificação de férias de 70% e o pagamento de 200% pelo trabalho em dias de repouso. A decisão foi proferida ainda no início do ano.
No estado, o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos (Sintect-RS) também cita sobrecarga, condições de trabalho, fechamento de unidades, dificuldades no atendimento de saúde e problemas na estrutura e nas viaturas utilizadas pela empresa.
Medida de contingência
Em nota, os Correios informaram que adotam medidas para manter os serviços e reduzir os impactos aos clientes. Entre as ações anunciadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e ajustes logísticos destinados a preservar as entregas.
A estatal sustenta que a proposta contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, assegura a reposição integral da inflação nos salários e benefícios e mantém a assistência à saúde. As entidades sindicais afirmam que permanecem abertas à retomada das negociações.