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A apicultura presente no Agro

Opinião de Márcio Mügge, administrador

09/10/2026 | 11:55

A apicultura desempenha um papel estratégico e sustentável no agronegócio moderno, consolidando-se como uma das atividades agropecuárias que melhor concilia a geração de renda com a conservação ambiental. Mais do que a extração de produtos valorizados, ela cria uma relação de simbiose com as lavouras por meio da polinização, aumentando a produtividade e a qualidade dos cultivos agrícolas.

A integração entre apicultores e agricultores tem se tornado um pilar essencial para o setor. No Brasil, mais de 60% dos cultivos agrícolas apresentam algum grau de dependência da polinização animal (como frutíferas e leguminosas). A presença de apiários próximos melhora a formação de frutos e grãos. Para o agricultor, a presença de abelhas saudáveis na propriedade atesta a responsabilidade socioambiental e o uso correto de defensivos.

A criação de abelhas do gênero Apis mellifera se destaca como uma excelente alternativa de diversificação para pequenas, médias e grandes propriedades. Não demanda grandes áreas e depende diretamente da manutenção da vegetação nativa em pé. Além do mel (produto mais explorado), o produtor pode comercializar própolis, pólen, cera, apitoxina e geleia real.

Para obter sucesso econômico e operacional na apicultura, o produtor deve seguir normas técnicas. Deve posicionar o apiário até no máximo 400 metros de uma fonte de água, mantendo distância mínima de 300 metros de estradas/casas e longe de possíveis fontes de contaminação, como lixões. Sugestão de usar colmeias padronizadas (modelo Langstroth), equipamentos de proteção individual de cores claras e fumigador para o manejo seguro. Ainda sobre o manejo, precisa realizar visitas periódicas (geralmente a cada 15 dias) e fornecer alimentação artificial (energética e proteica) nos períodos de entressafra, interrompendo o trato cerca de 60 dias antes da florada principal.

A força da apicultura tradicional em Teutônia

A apicultura comercial baseia-se em uma estrutura sólida que garante valor agregado e segurança sanitária para os produtores locais. A Associação Teutoniense de Apicultores (ATA), fundada no final da década de 1980, conta com cerca de 30 produtores associados e atua como o motor do setor na região, fornecendo suporte técnico, representação e promovendo o desenvolvimento de mercado. Além disso, o Entreposto de Mel, localizado no Bairro Teutônia, é uma estrutura modelo, cedida e apoiada pelo poder público municipal. Ele opera com o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e o selo do SUSAF, o que atesta seu rigor higiênico e qualidade desde a recepção até a rotulagem.

O mel artesanal teutoniense deu um salto mercadológico histórico com a conquista do Selo ARTE. Emitida com base nas diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), essa certificação reconhece as características únicas e artesanais do produto, permitindo que a associação comercialize seu mel legalmente para todo o território nacional, rompendo as barreiras do estado.

Teutônia também desponta como um polo da meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão). O mel dessas abelhas possui alto valor comercial no mercado, alcançando entre R$ 150 e R$ 300 o quilo, devido ao sabor diferenciado, menor teor de açúcar e alta umidade.

PRINCIPAIS ABELHAS E CARACTERÍSTICAS DO MEL QUE PRODUZEM

– Abelhas com Ferrão (apicultura tradicional) – É a abelha mais comum nas lavouras e matas da região, resultante do cruzamento entre abelhas europeias e africanas. O mel é denso, viscoso e com baixo teor de umidade, o que faz com que cristalize com facilidade em temperaturas mais frias.

– Abelhas Nativas Sem Ferrão (meliponicultura) – Os méis das abelhas nativas possuem uma característica única: eles têm alta umidade (geralmente acima de 25%), o que os torna mais fluidos e propensos a uma fermentação natural.

– Jataí – É uma das abelhas nativas mais populares e fáceis de manejar. O mel possui coloração claro-dourada. É bastante líquido e traz uma acidez cítrica marcante que quebra o doce tradicional.

– Mandaçaia – É uma abelha robusta, preta com listras amarelas no abdômen, muito adaptada ao clima do RS. O mel geralmente é muito claro e límpido, com menor acidez, apresentando um sabor muito sofisticado, floral e suave.

– Manduri – Abelha nativa menor e excelente polinizadora de matas nativas. Seu mel tende a ser um mel mais denso e de coloração mais escura. Seu sabor é intenso e complexo, deixando notas que lembram resinas e madeiras nativas.

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