agro em foco

Semana Farroupilha e o impacto no consumo da carne bovina

Opinião de Márcio Mügge, administrador

18/09/2026 | 10:59

O consumo de carne bovina durante o mês e a Semana Farroupilha no Rio Grande do Sul chega a aproximadamente 5,6 toneladas em grandes eventos e festividades combinadas, com um ritmo intenso que atinge mais de 720 kg de assado consumidos por hora em locais como o Acampamento Farroupilha, na capital, ou em Teutônia, na 10ª edição do Acampamento, que conta com um recorde de 35 piquetes montados no entorno do Pavilhão Multiuso do Centro Administrativo.

O churrasco, o costelão, o entrevero e o carreteiro campeiro são preparados diariamente em ritmo integral, tanto em churrasqueiras modernas quanto no tradicional fogo de chão. Estima-se que cada um dos 35 piquetes reúna dezenas de associados e receba centenas de visitantes ao longo dos 8 dias de festa. Isso gera um consumo contínuo e independente de carne bovina, providenciada pelos próprios grupos por meio de açougues, mercados locais e até produção própria.

Por conta do mês e da Semana Farroupilha, setembro rivaliza diretamente com dezembro. É o período em que o RS registra um pico extraordinário e isolado de consumo de carne bovina focado no churrasco. Segunda metade do ano: o varejo de carne bovina é muito mais forte no segundo semestre (de agosto a dezembro), acompanhando a virada de lotes de gado, o recebimento do décimo terceiro salário e a maior concentração de feriados festivos.

Impacto na economia

O gasto total apenas com carne e carvão durante os festejos chega perto de R$ 182,67 milhões, dentro de um impacto geral de R$ 652,8 milhões gerado pelas festividades tradicionalistas.

O comportamento dos preços da carne em setembro

Ciclo de alta no campo: o preço do boi gordo no mercado físico voltou a subir para a faixa de R$ 350,00 por arroba na parcial de setembro, impulsionado pela menor oferta de animais prontos para o abate e pelas exportações aquecidas. Ao longo do ano, a carne bovina na Região Metropolitana de Porto Alegre acumulou altas expressivas, operando muito acima do índice geral de inflação. Para a infelicidade de quem faz churrasco, a costela foi o corte que registrou a maior elevação no estado (acumulando mais de 12% de alta). Isso ocorre porque o gaúcho exige costela de padrão local e o Rio Grande do Sul precisa importar cerca de 55% de toda a carne bovina que consome de outros estados. Cortes como picanha, acém e lagarto também acompanharam a subida.

Para os produtores, este período de virada de semestre representa o ponto de virada financeira e operacional do ano, trazendo margens de lucro saudáveis e grandes janelas de oportunidade, proporcionando recuperação das margens e lucro real. Na bolsa de mercadorias, os contratos futuros projetam valores ainda mais altos para os próximos meses, negociados na casa dos R$ 375,00 para outubro e acima de R$ 384,00 para dezembro.

A alta no preço do boi gordo gera um “efeito cascata” positivo para quem trabalha com cria e recria. Com a indústria buscando mais animais para abate, a procura por bezerros e bois magros dispara. No Rio Grande do Sul, o preço do macho de reposição atinge médias elevadas, superando os R$ 5.100,00 por cabeça (com o quilo vivo avaliado acima de R$ 13,80), o que valoriza o patrimônio geral do produtor que tem gado jovem no pasto.

O churrasco na Semana Farroupilha não é apenas comida; é o altar sagrado onde o fogo de chão consagra a união, o companheirismo e a alma do Rio Grande.

Principais cortes e pratos tradicionais nos festejos farroupilhas

No Acampamento Farroupilha, a preferência dos gaúchos se concentra em cortes gordurosos, com osso e ideais para assados longos, que combinam com a paciência do fogo de chão e das churrasqueiras dos piquetes.

Os principais cortes que dominam as grelhas e espetos durante as festividades são divididos entre os clássicos do fogo e os pratos de panela:

Costela Bovina (Janela ou Minga): O corte mais sagrado e consumido no acampamento. A costela “janela” (parte central da costela) é a estrela do costelão doze horas, assada lentamente no fogo de chão até derreter e soltar o osso.

Vazio (Fraldinha): Um clássico das churrasqueiras dos piquetes. É um corte muito suculento, com uma capa de gordura que protege a carne, ideal para assar rapidamente em espeto corrido ou grelha.

Maminha: Muito valorizada pela maciez, costuma ser assada inteira no espeto, servida em fatias finas.

Picanha: Embora tenha um custo mais elevado, é indispensável nas confraternizações menores e nos momentos de pico do evento, geralmente assada em postas (rodas) no espeto.

Agulha (Músculo/Acém) e Peito: São os cortes preferidos para fazer o tradicional Carreteiro de Charque ou de carne fresca, além de ensopados com aipim.

Alcatra e Contrafilé: Cortados em tiras finas, são a base do famoso entrevero gaúcho, feito em grandes discos de arado com pinhão, bacon e vegetais.

Leia também as Edições Impressas.

Assine o Informativo Regional e fique bem informado.