SAÚDE INFANTIL

Campanha alerta sobre imunização contra vírus que causa bronquiolite

VSR já provocou mais de 21 mil casos graves e 246 mortes no país em 2026; crianças menores de dois anos concentram a maioria dos registros

Por: Agência Brasil

31/07/2026 | 14:40
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou a campanha Todos contra o VSR – Proteção desde o Início, voltada à conscientização de gestantes e famílias sobre as formas de prevenção do vírus sincicial respiratório (VSR). A iniciativa também prevê ações de atualização para profissionais da saúde.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam 21.398 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocados pelo vírus em 2026, com 246 mortes. Crianças menores de dois anos representam a faixa etária mais atingida, com 17.081 casos e 109 óbitos.

Segundo a SBIm, o VSR está relacionado a cerca de 80% dos casos de bronquiolite e a até 60% das pneumonias em menores de dois anos. Mais da metade das internações ocorre nos dois primeiros meses de vida. Ao considerar os três primeiros meses, a proporção chega a dois terços.

O vírus pode causar infecções respiratórias em pessoas de todas as idades, mas oferece maior risco de evolução grave para bebês, especialmente os menores de seis meses e os nascidos prematuramente. Crianças com doenças cardíacas, pulmonares ou condições que comprometem o sistema imunológico também estão entre os grupos mais vulneráveis.

Proteção começa durante a gestação

De acordo com a coordenadora da campanha e diretora da SBIm, Isabella Ballalai, a imunização é fundamental para proteger os bebês nos primeiros meses de vida, período em que o risco de complicações é mais elevado.

Uma das estratégias disponíveis é a vacinação da gestante. A dose estimula a produção de anticorpos, que são transferidos ao feto pela placenta e ajudam a proteger o recém-nascido. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida a partir da 28ª semana de gestação.

Após o nascimento, a prevenção também pode ser feita com anticorpos monoclonais, que fornecem anticorpos prontos à criança.

“A partir do nascimento, crianças menores de dois anos podem se beneficiar dos anticorpos monoclonais, em especial prematuros e outros grupos de risco”, afirma Isabella.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza o anticorpo monoclonal para bebês prematuros e crianças menores de dois anos com determinadas comorbidades. O nirsevimabe, que oferece proteção prolongada com uma aplicação, está previsto para prematuros e crianças incluídas nos critérios do Ministério da Saúde, nascidas a partir de fevereiro de 2026.

A SBIm recomenda uma abrangência maior, incluindo prematuros durante o primeiro ano de vida e crianças menores de dois anos sem comorbidades, conforme avaliação e orientação do pediatra.

Informação e conscientização

A campanha reúne vídeos com depoimentos de médicos, entre eles Dráuzio Varella, e de mães que acompanharam casos de VSR nos filhos. A proposta é apresentar os impactos da doença a partir de experiências reais e ampliar a percepção sobre a importância da prevenção.

A iniciativa também oferece videoaulas para profissionais da saúde, um site específico e conteúdos educativos publicados no Instagram, YouTube, TikTok e Facebook. A comunicação com gestantes e famílias inclui ainda o envio de informações por e-mail e WhatsApp.

A ação tem o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), das sociedades brasileiras de Pediatria e Infectologia, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da ONG Prematuridade.com.

Leia também as Edições Impressas.

Assine o Informativo Regional e fique bem informado.