25 de julho de 2026
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A história de uma data

Como o 25 de julho uniu o campo, a estrada e a religiosidade

De origens distintas, as homenagens a colonos e motoristas convergiram em uma tradição marcada por devoção, trabalho e identidade regional

Por: Marcel Lovato

25/07/2026 | 07:30
Centenário da imigração alemã, celebrado em 25 de julho de 1924, abriu caminho para a instituição do Dia do Colono no Rio Grande do Sul. Na foto, a festa na praça do Bairro Teutônia | Crédito: Museu Municipal Henrique Üebel/Reprodução
Centenário da imigração alemã, celebrado em 25 de julho de 1924, abriu caminho para a instituição do Dia do Colono no Rio Grande do Sul. Na foto, a festa na praça do Bairro Teutônia | Crédito: Museu Municipal Henrique Üebel/Reprodução

Tratores ornamentados, caminhões enfileirados, buzinas, imagens religiosas e bênçãos nas ruas compõem uma das cenas mais recorrentes do mês de julho no Vale do Taquari e em outras partes do Estado. Embora realizadas conjuntamente na atualidade, as festas do Colono e Motorista foram organizadas em épocas distintas por paróquias, sindicatos, prefeituras e comunidades rurais, de acordo com a trajetória de cada localidade. 

O 25 de julho reúne três camadas históricas diferentes: a chegada de 39 imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul, em 1824, onde fundaram a colônia no território que hoje pertence ao município de São Leopoldo, o reconhecimento profissional aos trabalhadores rurais e motoristas; e a religiosidade, sobretudo em São Cristóvão, um dos santos mais populares da Igreja Católica. 

Dia do Colono 

A associação da data com o colono foi construída a partir das comemorações do centenário da imigração alemã em 1924, estado afora, inclusive em Teutônia. Com o tempo, os festejos se espalharam para outras regiões. De acordo com o artigo “ As comemorações da imigração no Rio Grande do Sul: o 25 de julho, uma data e muitas histórias”, escrito pela doutora em História pela UFRGS, Roswithia Weber, a família Rotermund, de São Leopoldo, o Sínodo Rio-Grandense e outras entidades iniciaram, em 1933, a “Comissão Pró-25 de Julho” para que a data se tornasse feriado estadual. 

No dia 16 de maio do ano seguinte, o pedido foi encaminhado ao governador Flores da Cunha, no qual foi ressaltado que a homenagem deveria alcançar açorianos, italianos, poloneses e outros grupos ligados ao trabalho colonial. Uma semana depois, foi instituído o Decreto 5.591/34. Apesar do discurso abrangente, a escolha sempre esteve ligada à influência germânica por conta do componente histórico.

Weber destaca que o termo “colono” permitiu a ampliação simbólica da homenagem também para o trabalhador agrícola.  Durante o Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial, as comemorações ligadas à germanidade sofreram restrições e deixaram de ocorrer regularmente. A oficialização nacional ocorreu somente em 5 de setembro de 1968 por meio da lei 5.496. O projeto havia sido apresentado em 1964 pelo deputado gaúcho Norberto Schmidt (PL)

Celebrações ao motorista

Diferentemente do Dia do Colono, associado à imigração, o Dia do Motorista foi instituído nacionalmente pela 5.032/66 e tem ligação com São Cristóvão. O projeto havia sido apresentado dois anos antes pelo deputado federal Adílio Viana (MDB-RS). Curiosamente, a legislação não descreveu a história religiosa. 

Antes mesmo da instituição da data, procissões e bênçãos já eram realizadas. No Vale do Taquari, a mais antiga é a festa realizada pela Paróquia São Cristóvão de Lajeado, que foi criada em  5 de janeiro de 1964. A cerimônia contou com uma ampla procissão. Mais tarde, as atividades passaram a ocorrer em julho. A mais recente, no domingo, 19. Já foram 58 edições. Por lá, tanto o nome da igreja quanto do bairro teve origem na grande presença de empresas de transporte e trabalhadores do setor. 

Em cidades como Teutônia e Estrela, por exemplo, ocorrem eventos separados, promovidos por igrejas e pelos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STR). Em Boa Vista do Sul, consolidou-se o formato no qual o tratoraço e a participação de agricultores no centro dos festejos.

Já em Fazenda Vilanova, a representatividade do evento se dá, principalmente, pelo fato de São Cristóvão ser o padroeiro do município, instituído por lei logo em 1997.  Além disso, possui ampla ligação com a BR-386, uma vez que a rodovia foi fundamental no processo de desenvolvimento que levou à emancipação do município no ano de 1995. Destaque ainda para Poço das Antas, que realiza sua festa desde meados dos anos 1990, mas de forma antecipada, pois une as comemorações com o dia de São Pedro, que transcorre em 29 de junho. 

Há alguns elementos em comum nas festas ocorridas tanto na microrregião quanto nas demais partes do Vale do Taquari. São eles: os desfiles, o transporte do santo, a bênção aos veículos, as missas, as confraternizações comunitárias com churrasco, café colonial ou reunião dançante, além dos veículos enfeitados, exibição de ferramentas antigas e representação das cenas de lavoura, além de homenagens aos motoristas e premiações aos agricultores destaque. 

Historicamente, não existe uma data específica na qual as celebrações do colono e motorista se fundiram.  Em geral, os pesquisadores atribuem o processo como algo natural, uma vez que as categorias, pela lógica econômica, se completam para promoção do desenvolvimento. A data, é importante dizer, não é feriado nacional , tampouco estadual. Hoje, somente parte dos municípios interrompe as atividades. 

Ao longo dos anos, as festas em homenagem a São Cristóvão tornaram-se parte da cultura regional, com a mobilização de centenas de moradores. Um exemplo é a celebração de Poço das Antas, como edição promovida há 20 anos | Crédito: Arquivo Informativo Regional

 

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