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Teutônia 45 anos

Das picadas coloniais ao polo regional: a formação de Teutônia

Historiadores resgatam marcos ligados aos primeiros moradores, crescimento das comunidades e movimentos pré e pós-emancipação

Por: Marcel Lovato

24/05/2026 | 05:00
Registro aéreo captado anos antes da vitória do “Sim” demonstra o desenvolvimento dos então distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia. Foto: Arquivo Guido Lang/Divulgação
Registro aéreo captado anos antes da vitória do “Sim” demonstra o desenvolvimento dos então distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia. Foto: Arquivo Guido Lang/Divulgação

Teutônia completa 45 anos de emancipação neste domingo, 24. A história, contudo, vai muito além deste período. Remonta a meados do século XIX, quando o processo de colonização se intensificou no Vale do Taquari. Segundo o escritor e historiador Guido Lang, a instituição da “Colônia Particular de Teutônia” começou em 1858. Na década seguinte, seguiram-se etapas como medição dos lotes, vendas e a efetiva ocupação por famílias de origem germânica.

Oriundos, especialmente, da Colônia de São Leopoldo, os grupos ocuparam as terras localizadas nas margens esquerda e direita do Arroio Boa Vista. Em seus escritos, Lang destaca que a escolha do nome “Teutônia” fazia parte de uma estratégia de divulgação colonial, pois remonta aos antigos “Teutões”, tribos germânicas que se instalavam em meio a florestas, criavam gado e desenvolviam a agricultura. Ou seja, era um incentivo ao “desbravamento do território”.

No âmbito da presença indígena, a área abrangida pela Colônia Teutônia possuía remanescentes de Guaranis e Caingangues. Eles estavam em fase de migração e sua permanência em cada local dependia da disponibilidade de caça e coleta. Segundo Lang, tanto alemães quanto italianos foram atraídos para locais onde havia índios. Esses, os “donos originais” das terras consideravam uma invasão. Conflitos foram inevitáveis.

As comunidades e o desenvolvimento

As colônias contavam, conforme Lang, com três figuras consideradas centrais: o pastor, que circulava por várias picadas e transmitia o evangelho luterano; o professor, responsável, claro, pela educação; e os comerciantes.

Além de gerirem diferentes negócios – em vários casos, uma pessoa atuava em quatro, cinco ramos -, eram referências comunitárias. Em relação ao professor ganhava pouco para lecionar. Por outro lado, recebia uma área de terra com casa, onde poderia plantar e complementar sua renda. Escolas, igrejas, empreendimentos, entidades e estradas foram estruturadas ao longo do tempo.

Correspondente ao atual Bairro Canabarro, a picada “Glück-auf”, ou “Boa Sorte” foi o grande núcleo da colonização. De lá,o povoamento se distribuiu para as Linhas Germano, Boa Vista, parte da Catarina, Posses, entre outras. Modelo que simboliza Teutônia, o cooperativismo ganhou força a partir da primeira metade do século XX, aliado ao crescimento das localidades, todas ainda sob responsabilidade de Estrela.

Por meio dele e junto à sua atuação como escrivão e conselheiro, Elton Klepker se notabilizou como uma grande liderança, que, mais tarde, culminou com os dois movimentos emancipatórios. O primeiro, sem sucesso, em 1963, pois não houve acordo entre os distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia quanto à sede; e que obteve êxito com a vitória do “Sim” em 24 de maio de 1981. “Klepker teve uma visão de estadista, pensou na geração de riquezas ao longo de 20, 30 anos. Isso contribuiu para a cidade se tornar um polo regional”, enfatiza Guido.

Inauguração da Praça de Teutônia Norte, hoje Bairro Teutônia, em 1947. Residência à esquerda, com telhas brancas, é uma das construções remanescentes. Foto: Divulgação

Novo município

Outra testemunha do desenvolvimento e de fatos marcantes de Teutônia é o professor e historiador Selby Wallauer. Aos 90 anos, completados nesta sexta-feira, 22, ele lembra que trabalhou na usina hidrelétrica de Boa Vista durante a juventude. Seu pai, Afonso Wallauer, a adquiriu em 1939 e administrou-a por mais de 20 anos.. Inicialmente com uma e, depois, duas turbinas, a estrutura forneceu energia até Languiru. Os negócios compreendiam, ainda, marcenaria e moinho.

Antes de ingressar na política, Selby lecionou nas escolas de Boa Vista e Gomes Freire de Andrade, além do Colégios Teutônia e Cenecista General Canabarro, fez cursos de Datilografia e Escrituração Mercantil, foi sapateiro e ainda trabalhou no extinto Curtume Augustin. Um convite de Klepker mudou sua trajetória.

Nos preparativos para as eleições de 1982, a primeira do recém-criado município de Teutônia, Klepker compôs uma lista de candidatos do então PDS (hoje PP) para concorrer ao legislativo. Faltava o representante de Boa Vista e Selby, mesmo contrariado, foi indicado. Acabou eleito, com a 5ª maior votação.

Em 31 de janeiro de 1983, Selby conduziu a sessão de instalação oficial de Teutônia, com a posse do prefeito e vice (Klepker e Silvério Luersen), além dos nove vereadores. Ele era o parlamentar mais velho, mas nem chegou a assumir a cadeira, pois foi escolhido para liderar a Secretaria de Educação. A vaga foi destinada ao suplente Airton Grave. Egon Édio Hoerlle presidiu a Câmara entre 1983 e 1984.

Construção dos 64 módulos que compõem o Centro Administrativo. Na imagem, a fase final dos trabalhos e a Via Láctea. Foto: Prefeitura de Teutônia/Reprodução

Brasão

Selby foi secretário durante toda a primeira gestão, finalizada em 1988. Seu principal feito, contudo, se deu em 1986, quando criou, com o auxílio da desenhista, Rita Bruxel, o brasão e a bandeira de Teutônia. O desafio partiu de Klepker, que ficou insatisfeito com a proposta anterior de uma especialista em Heráldica (a ciência que estuda os brasões), e incumbiu-o da missão em um prazo de três meses.

Ele se inspirou na bandeira de um coral, a qual possuía uma lira, e que se tornou o contorno do brasão. Depois, definiu os seguintes elementos: um livro aberto em chamas, que simbolizava a alta alfabetização de Teutônia na época; a casa enxaimel, a fim de enfatizar o legado dos imigrantes; os anos da colonização e emancipação; a Saraquá, ferramenta agrícola para semear; a figura de uma empresa de laticínios; as folhas de acanto, que, no contexto institucional, simboliza honestidade e capacidade administrativa; e as três estrelas referentes aos distritos.

Aprovado pela Câmara, o projeto se tornou lei em 28 de abril de 1986. Portanto, acabou de completar 40 anos. Dias depois, uma festa de apresentação dos novos símbolos foi promovida no Bairro Canabarro, quando crianças entraram no salão com bandeirinhas. “Me sinto imortalizado na história de Teutônia”, afirma Selby, que também é Cidadão Emérito, homenagem recebida há duas décadas.

Primeiro secretário de Educação, professor e historiador Selby reuniu uma série de elementos característicos para criar a identidade visual teutoniense. Foto: Gabriela Arendt

Prefeitos e vices de Teutônia

• 1983 -1988: Elton Klepker e Silvério Luersen (PDS)
• 1989 – 1992: Silvério Luersen e José Danilo Jantsch (PDT)
• 1993 – 1996: Elton Klepker e Derci Bayer (PDS, depois PPR)
• 1997 – 2000: Ricardo José Brönstrup e Alcido Lindemann (PMDB, atual MDB)
• 2001-2004: Ricardo José Brönstrup e Ariberto Magedanz (PMDB)
• 2005-2008: Silvério Luersen e Renato Airton Altmann (PDT)
• 2009-2012: Renato Airton Altmann e Ariberto Magedanz (PP)
• 2013-2016: Renato Airton Altmann e Evandro Biondo (PP)
• 2017-2020: Jonatan Brönstrup e Valdir Oliveira do Amaral (Dirinho) PSDB
• 2021-2024: Celso Aloísio Forneck e Aline Röhrig Kohl (PDT e PL)
• Desde 2025: Renato Airton Altmann e Evandro Biondo (PSD)

Primeira Câmara de Vereadores (1983-1988)*

• Alcido Lindemann
• Cláudio Wiebusch
• Dorival Bez Machado
• Egon Édio Hoerlle**
• Ledi Schneider
• Mário Wink
• Ronald Orlando Goldmeier
• Selby Wallauer (nomeado Secretário da Educação, foi substituído pelo primeiro suplente Airton Guilherme Grave):
• Willy Ricardo Wolf

*Ordem alfabética
** Primeiro presidente, entre 1983 e 1984

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