Candidato na CIC

Gabriel Souza projeta obras do Polo de Saúde e ampliação do ensino técnico

Atual vice-governador se comprometeu a iniciar primeira etapa das obras no próximo ano, caso seja eleito. Emedebista foi o terceiro participante da série de encontros promovida pela CIC Teutônia com postulantes ao Piratini

Por: Marcel Lovato

14/08/2026 | 15:37 Atualização: 14/08/2026 | 16:34
Vice-governador também apresentou propostas para o frigorífico de Poço das Antas, agricultura familiar e infraestrutura. Foto: Marcel Lovato
Vice-governador também apresentou propostas para o frigorífico de Poço das Antas, agricultura familiar e infraestrutura. Foto: Marcel Lovato

A Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) Teutônia realizou, nesta sexta-feira, 14, o terceiro encontro com os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, na série de edições especiais do Almoço Empresarial. Desta vez, o convidado foi  o ex-deputado estadual por dois mandatos e atual  vice-governador Gabriel Souza (MDB).

Souza recordou sua trajetória política e a experiência adquirida no Executivo. Segundo ele, as agendas realizadas em diferentes regiões permitiram conhecer de perto as dificuldades enfrentadas pela população e pelo setor produtivo.  Fez críticas aos governos do PT e atribuiu às reformas iniciadas  em uma gestão do MDB e mantidas pela atual administração a recuperação da capacidade de investimento do Estado. “Quem cuida das contas, cuida das pessoas”, afirmou, ao defender que o equilíbrio fiscal permite ampliar os serviços públicos.

Também criticou adversários que, em sua avaliação, prometem melhorias sem explicar como serão executadas ou de onde virão os recursos. “Existem dois tipos de pessoas: os especialistas em achar problemas e os especialistas em resolver problemas. Eu faço parte deste segundo grupo”, declarou.

Saúde e Polo Regional

A saúde ocupou uma parte central da apresentação. Gabriel apontou a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das causas do desequilíbrio financeiro dos hospitais filantrópicos. Como resposta, , citou o SUS Gaúcho, programa que prevê a ampliação gradual dos recursos estaduais para a área. Conforme o candidato, o aporte adicional chegará a R$ 6,7 bilhões até 2030. Ele afirmou que pretende concentrar parte dos investimentos na regionalização dos serviços e assumiu uma meta para uma eventual gestão. “Eu quero ser o governador que irá zerar as filas do SUS no Rio Grande do Sul”, declarou.

No recorte regional, relacionou a ampliação da rede hospitalar à resiliência climática. O emedebista defendeu que o Hospital Ouro Branco (HOB) seja preparado para atendimentos de maior complexidade e para atuar como estrutura de retaguarda em situações de emergência.

Segundo ele, o custeio anual repassado pelo Estado ao hospital aumentou mais de 120% durante a atual gestão. O projeto executivo do Polo de Saúde, que prevê a verticalização e a ampliação da estrutura do HOB, recebeu R$ 940 mil do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e estaria com cerca de 40% dos trabalhos concluídos. “Feito o projeto, eu coloco a primeira etapa em andamento já em 2027. Assumo esse compromisso”, enfatizou.

Educação e ensino técnico

Gabriel defendeu que o Estado já apresenta avanços e citou a melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), obras em escolas, a distribuição de uniformes e a presença de Chromebooks nas salas de aula

Também mencionou o aumento da participação dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Segundo ele, houve crescimento de 75% no número de escolas que alcançaram o mínimo de 80% de participação, Ainda, apontou reajustes do piso do magistério como parte da “política de valorização profissional” e afirmou afirmou que professores de escolas que atingiram as metas de aprendizagem receberão uma remuneração adicional, tratada por ele como um “14º salário”.

“A ignorância é muito mais cara que a educação”, resumiu. Gabriel também afirmou que os resultados de aprendizagem não podem ser maquiados nem utilizados pelos seus adversários para desqualificar o Estado. Para uma eventual gestão, prometeu realizar “o maior programa de ensino técnico da história”. Os recursos, conforme explicou, virão da renegociação da dívida do Estado com a União. A proposta inclui a compra de vagas no Sistema S (Sesi, Senac, Senai, por exemplo), parcerias com cooperativas, universidades comunitárias e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), além da modernização das escolas técnicas, com aquisição de equipamentos e laboratórios.

O objetivo é alinhar a formação às demandas produtivas de cada região e ampliar de 50 mil para 100 mil as matrículas no ensino médio em tempo integral, com maior integração à educação profissional. Conforme Gabriel, o programa será apresentado na próxima semana. A meta, acrescentou, é fazer com que os jovens concluam o ensino médio com conhecimentos técnicos relacionados às necessidades de cada região. Para o candidato, a iniciativa ajudará a elevar a produtividade e enfrentar a escassez de mão de obra qualificada.

Ambiente de negócios

Para o candidato, o Rio Grande do Sul está mais competitivo do ponto de vista tributário. Citou a alíquota modal de 17% do ICMS, a isenção de IPVA para veículos elétricos e o crescimento dos investimentos privados. Conforme os números apresentados, o volume anual de investimentos privados, antes próximo de R$ 30 bilhões, superou R$ 90 bilhões no último ano.

Para Gabriel, “questões ideológicas não podem falar mais alto” nas decisões econômicas. Ao responder sobre a retomada do frigorífico de suínos de Poço das Antas, afirmou que a agência de desenvolvimento Invest RS trabalha na prospecção de um investimento privado capaz de ocupar a estrutura.

O candidato também avaliou que o próximo governador precisará preparar o Estado para os efeitos da reforma tributária, sobretudo diante da extinção gradual dos incentivos fiscais. Entre as alternativas, propôs a criação de um fundo de subvenção, financiado pelo Tesouro estadual, para apoiar a competitividade das empresas.

Ponte dos Vales e concessões

Sobre a Ponte dos Vales, entre Estrela e Cruzeiro do Sul, Gabriel afirmou que a obra deverá ser entregue até o fim de 2027. Conforme explicou, as sondagens precisaram avançar além do previsto em razão das características do solo argiloso. O candidato classificou o empreendimento como a maior obra rodoviária da história gaúcha. Em relação ao plano de concessões rodoviárias, admitiu que o modelo poderá ser revisto, mas não detalhou se a demanda teutoniense de duplicação total da Via Láctea será contemplada.

Agricultura e sucessão rural

Em relação ao campo,  propôs a criação de uma política de crédito voltada à sucessão rural. Também mencionou a implantação de um fundo de seguro climático e a prorrogação do Funrigs para financiar ações de manejo e conservação do solo. Entre as demais propostas, estão a ampliação dos programas Terra Forte e Irriga+RS, além da expansão da internet de qualidade e da energia trifásicaAs medidas, segundo ele, buscam elevar a produtividade das safras e oferecer melhores condições para a permanência dos jovens no campo.

Ao citar a composição eleitoral e as propostas para o setor, Gabriel definiu o grupo como “a chapa mais agro desta eleição”. Por fim, disse que nesta eleição, os gaúchos poderão se preferem “os avanços ou se deixarem levar pelas cantilenas das críticas”.

A programação da CIC com os candidatos ao governo começou em julho, com a participação de Marcelo Maranata (PSDB) .  No dia 7,  foi a vez de Juliana Brizola (PDT).  Luciano Zucco (PL) ainda não teve a data da vinda divulgada. A ordem foi definida por meio de sorteio.

Evento reuniu empresários, lideranças regionais, candidatos e correligionários. Foto: Marcel Lovato

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