15 de maio de 2026
16ºC | Parcialmente nublado

AGRO EM FOCO

O agro da Colônia Teutônia

Opinião de Márcio Mügge, administrador

15/05/2026 | 10:32 Atualização: 15/05/2026 | 11:10

Em período de festejos de aniversário de criação do município de Teutônia, lembrar da fundação da colônia de Teutônia (1958) remete aos primórdios da agricultura na região, sendo moldada pela agricultura familiar e mini fundiária, trazida pelos imigrantes alemães, que desbravaram a mata para instalar pequenas propriedades. O foco era no sustento das famílias e em um ativo sistema de troca de excedentes entre vizinhos, devido à falta de poder de compra na época, além das dificuldades de preservação dos alimentos.

O solo era extremamente fértil, permitindo safras fartas de alimentos básicos, como batata, milho e mandioca. A produção era muito diversificada, focada também no trato de animais. O colono plantava milho especificamente para engordar os porcos, dos quais se extraía a banha, principal gordura culinária da época, e a carne para embutidos, que hoje são a base da força industrial de Teutônia.

Com o passar dos anos, a agricultura de subsistência de Teutônia transformou-se no modelo cooperativista atual; foi um processo de união motivado pela necessidade de comercializar excedentes e ganhar escala; os colonos produziam muito, mas enfrentavam dificuldades extremas para vender. O excesso de leite, ovos e banha era trocado por insumos básicos, como sal, açúcar e querosene em pequenos armazéns locais em um sistema de troca que nem sempre era justo para o agricultor. Nesse período, surge a Cooperativa Languiru (1955) com o objetivo de unir forças para defender os interesses dos associados e encontrar mercados para vender, inicialmente, os produtos in natura e, na sequência, produtos industrializados de alto valor agregado, como leite, carnes e derivados.

Atualmente, o agro é um dos pilares centrais da economia de Teutônia. Se considerarmos o setor de produção e o de transformação (indústria) do agro, o valor adicionado na economia do município representa praticamente 70% de tudo que é gerado, colocando também o setor primário de Teutônia como líder no Vale do Taquari em geração de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). A unidade da Lactalis do Brasil (Indústria de Leite), em Teutônia, responde por mais de 25% (um quarto) de toda a geração de ICMS do município.

A importância do “ouro branco”

O termo Ouro Branco em Teutônia tem uma origem histórica curiosa que remete ao início da colonização alemã na região e à sua base econômica. Ao contrário do que muitos pensam, o nome não se refere ao leite, mas sim à banha de porco. A banha era utilizada na conservação de alimentos, era a base da culinária e nutrição, além das funções medicinais.

No início da colonização, a banha de porco era o produto agrícola mais valioso, procurado e fácil de comercializar. Como os colonos não tinham dinheiro em espécie, a banha branca e pura funcionava como um “ouro”, sendo trocada por mercadorias essenciais nos armazéns e comercializada em centros urbanos.

O nome também foi escolhido para batizar instituições fundamentais da cidade por representar a riqueza e a prosperidade geradas pelo esforço do trabalho rural, como Hospital Ouro Branco e Sicredi Ouro Branco.

Tripé da produção

A agregação de valor na transformação de vegetais em proteína animal (leite, ovos e carnes) passou a ser o grande alavancador da economia de Teutônia, transformado a vida das pessoas e das comunidades.

 

 

RÁPIDAS

Produtos agrícolas comuns na Colônia da Teutônia:

  • Batata Inglesa e mandioca: a batata era a base da culinária alemã trazida da Europa, enquanto a mandioca foi uma adaptação essencial ao solo brasileiro para a produção de farinha.
  • Batata-doce: não era comum na Alemanha; os imigrantes a adotaram no Brasil porque ela crescia com muita facilidade no solo gaúcho e era excelente para a alimentação tanto da família quanto dos animais (suínos);
  • Milho: tornou-se o cultivo mais vital da lavoura. Além da alimentação humana (em forma de farinha e polenta), era a base da ração para os animais.
  • Feijão-preto: Introduzido inicialmente como auxílio do governo imperial e rapidamente adotado pelos colonos como prato principal.
  • Hortaliças e Legumes: O cultivo de repolho (fundamental para o chucrute), abóbora, cenoura, cebola e aipo era comum nos quintais das casas.
  • Cereais de Inverno: cultivos de trigo, aveia e cevada, embora o clima nem sempre fosse ideal para grandes escalas como na Europa.
  • Proteínas animais: carne suína (a mais importante) com seus embutidos e defumados, carne de frango, ovos, leite e derivados. O consumo de carne de gado era raro (exceto em eventos que reuniam muitas pessoas).

 

Leia também as Edições Impressas.

Assine o Informativo Regional e fique bem informado.