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Sucessão na Agricultura Familiar

Opinião de Márcio Mügge, administrador

24/04/2026 | 10:10 Atualização: 24/04/2026 | 10:42

A sucessão familiar na agricultura é um processo planejado de transferência de gestão, propriedade e conhecimento de uma geração para a seguinte, essencial para a continuidade das atividades no campo. O processo exige diálogo, profissionalização e treinamento dos sucessores, evitando que conflitos ou a falta de interesse do jovem levem à falência ou venda da propriedade.

O sucesso desse processo depende de vários fatores, e necessariamente precisa se estabelecer como um projeto de vida viável para os jovens, garantindo renda e qualidade de vida na propriedade e na comunidade onde estiver inserido.

Um dos principais desafios está relacionado aos ganhos financeiros nas atividades agrícolas, atrelados às oscilações dos custos de produção, valorização do que é produzido e ainda os impactos ambientais cada vez mais frequentes que refletem diretamente no resultado da produção. Neste sentido, jovens procuram atividades profissionais que lhes ofereçam mais segurança e menos riscos financeiros, muitas vezes influenciados por pais que por muitos anos passam por dificuldades nas atividades rurais.

Importante considerar também que em muitos casos, a resistência dos pais em compartilhar o poder decreta a falência da sucessão. A falta de diálogo e de espaço nas decisões estratégicas da propriedade, quando apenas tomadas pelos pais, sem uma abertura gradual para os filhos, pode desestimular e estabelecer a saída do jovem do campo.

O “Interior” precisa oferecer as mesmas condições de infraestrutura da cidade. Acesso à saúde, educação, estradas pavimentadas e conectividade são essenciais. Em áreas sem cobertura de sinal de internet, a permanência dos jovens está extremamente ameaçada.

Vida no campo ou na cidade: qual a melhor?

A resposta a esse questionamento depende muito de valores pessoais, estilos de vida e resiliência no enfrentamento de desafios. No campo, normalmente o ritmo é mais lento e ditado pela natureza ou luz solar, com horários mais flexíveis; o trabalho pode ser de segunda a segunda, como na produção leiteira! Contato direto com ar puro, silêncio e áreas verdes é característico. Geralmente o custo de vida é mais baixo, com possibilidade de produzir o próprio alimento. Os vínculos comunitários são mais fortes e a vizinhança está afetivamente mais próxima.

Já na cidade, o ritmo é mais acelerado, com foco em produtividade e horários rígidos, com mais oportunidades de emprego. A paisagem urbana oferece poluição sonora e visual, e espaços reduzidos. O custo de vida normalmente é mais elevado, especialmente com moradia e alimentação e as relações sociais são com maior anonimato e os vínculos mais superficiais. Opções comerciais de produtos e serviços estão mais próximas aos moradores das cidades.

A vida tanto no campo quanto na cidade oferece vantagens e desvantagens. A decisão é, ou deveria ser, por aquela onde se consegue uma melhor qualidade de vida, que é um conceito subjetivo e depende das prioridades de cada pessoa ou família. O que é “luxo” para um, pode ser “estresse” para outro.

Evolução contínua

A sucessão familiar na Agricultura Familiar não deve ser vista como uma “aposentadoria” mas como uma evolução contínua do negócio familiar, quando várias gerações produzem no mesmo ambiente de trabalho.

RÁPIDAS

Estratégias para uma sucessão eficaz na propriedade:

Gestão compartilhada: envolver os filhos nas decisões e no dia a dia da propriedade desde cedo.
Divisão de renda: estabelecer parcerias onde o jovem tenha sua própria fonte de lucro, e não apenas uma “mesada” para despesas pessoais.
Planejamento sucessório: definir formalmente como será a transferência de bens e participações; ação muito importante quando envolve famílias com vários filhos.
• Capacitação: oportunizar e estimular os jovens a realizar cursos e qualificações para serem aplicadas na propriedade.
Modernização: adotar tecnologias de produção e de produtos que tornem o trabalho menos penoso e mais atrativo.

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