A piscicultura é a atividade voltada para a criação e o cultivo de peixes em ambientes controlados, acompanhando o desenvolvimento dos animais desde o nascimento (alevinos) até o momento ideal para consumo ou comercialização. É um dos ramos mais importantes da aquicultura, que engloba o cultivo de qualquer organismo aquático, como camarões e algas.
Os principais sistemas de produção são o extensivo, quando os peixes são criados soltos em grandes lagos ou açudes, com baixa densidade e alimentação baseada nos nutrientes naturais do próprio ambiente; o semi-intensivo, que é praticado em tanques escavados, onde o produtor intervém com alimentação artificial (rações) para aumentar a produtividade; e o intensivo, com alta densidade de peixes por metro cúbico, uso de tanques-rede ou sistemas modernos com recirculação de água e controle rigoroso de oxigênio.
No Vale do Taquari, a piscicultura consolida-se como uma promissora alternativa de diversificação de rendimento para pequenas propriedades rurais. A região apresenta condições ideais para a atividade, impulsionada por recursos hídricos abundantes, clima favorável e forte apoio técnico de entidades locais, como, por exemplo, a Emater RS/Ascar.
As principais espécies cultivadas no Vale são as carpas: capim, húngara, prateada e cabeçuda – é o cultivo mais tradicional. A tilápia, que é a espécie que vem ganhando força técnica e registrando forte potencial de crescimento em novos projetos de engorda intensiva na região. Ainda tem outros cultivos pontuais, como de jundiá, traíra e bagres.

Desafios e oportunidades no cenário atual
Apesar de ter água abundante e clima propício, analistas da Emater/RS-Ascar reforçam que a piscicultura local ainda busca uma maior profissionalização. Grande parte dos viveiros atua sob o modelo de renda complementar ou subsistência. O principal objetivo atual das cooperativas e órgãos técnicos é aproximar os elos da cadeia (produtores de alevinos, recria e engorda) para garantir um mercado consumidor industrializado e constante ao longo de todo o ano, desvinculando as vendas exclusivamente do período da Semana Santa.

Oportunidades
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disponibiliza linhas de crédito robustas para a piscicultura através do setor de Aquicultura e Pesca, especialmente para o pequeno produtor familiar. O acesso a estes recursos é feito através de bancos e cooperativas de crédito parceiras.
Segundo informações da Cooperativa Cresol, existe um programa de custeio, com juro de 2% ao ano, que financia despesas operacionais do ciclo produtivo, como a compra de alevinos, ração, medicamentos e manutenção dos tanques. O recurso é disponibilizado ao produtor rural com prazo de pagamento em até 10 meses.
Cultivar peixes é transformar a água em alimento, gerando riqueza sustentável com respeito à natureza.
RÁPIDAS
Feiras de peixe vivo: os produtores vendem o peixe inteiro e vivo diretamente aos clientes, alcançando as melhores margens de lucro por quilo (valores estimados):
• Carpas Húngara e Prateada: entre R$ 13,00 e R$ 14,00.
• Carpa Capim: entre R$ 16,00 e R$ 17,00.
• Tilápia Inteira: cerca de R$ 18,00 a R$ 20,00.
• Catfish / Jundiá: cerca de R$ 20,00.
• Margens de lucro estimadas: entre 30% e 40%. O produtor ainda tem os custos de transporte e a logística dos tanques de água até o local de venda.