DE PAI PARA FILHOS

Quando o exemplo também vira profissão

Em diferentes áreas, filhos que seguiram os passos dos pais encontraram no trabalho mais do que uma carreira: exemplos de honestidade, dedicação e respeito que levam para a vida

09/08/2026 | 08:00

São comuns os casos em que os pais se tornam referências profissionais para os filhos. Mais do que perpetuar uma área de trabalho, eles transmitem valores que vão além do campo laboral. Três famílias de Teutônia são exemplos de como essa escolha pela mesma atividade pode ocorrer de maneira natural, acompanhada de princípios relacionados à formação de caráter. 

Hoje, além de compartilharem negócios e responsabilidades, os filhos carregam consigo ensinamentos que aprenderam muito antes de assumirem funções nas empresas, como honestidade, dedicação, respeito às pessoas, responsabilidade e retidão.

Bom trato com as pessoas

Eduardo e Isadora Mendel, de 24 e 20 anos, cresceram acompanhando o trabalho do pai, Ricardo Mendel, na Companhia do Sapato. A aproximação com a empresa começou cedo, com pequenas tarefas, especialmente em períodos de maior movimento, como o Natal. Aos poucos, a participação foi aumentando até se transformar em uma escolha profissional.

Formado em Administração pela Univates, Eduardo hoje trabalha com os pais e participa da integralmente da rotina da empresa. Isadora cursa Direito e também contribui na loja. Para os dois, não houve uma imposição para seguir o caminho da família. A aproximação aconteceu naturalmente, até que o trabalho passou a fazer parte de suas próprias escolhas.

No pai, Ricardo Mendel, eles encontram um dos principais exemplos de conduta profissional. A maneira paciente, simpática e atenciosa com que trata os clientes é algo que sempre chamou a atenção dos filhos.“Os clientes reconhecem isso. A gente vê como eles gostam, sempre procuram o pai, querem conversar com ele”, relata Eduardo.

O exemplo vai além do relacionamento com o público. A forma como Ricardo lidera a equipe e administra a empresa também serve de referência, conforme observa Isadora. É no cotidiano, observando como o pai lida com clientes, funcionários e decisões do negócio, que os filhos encontram ensinamentos que vão além da profissão.

Ricardo transmitiu as habilidades comerciais aos filhos Eduardo e Isadora | Fotos: Gabriela Arendt Schwingel

Dedicação e persistência

Na Mecânica Líder, a continuidade familiar já chegou à terceira geração. Igor Dieterich, 33 anos, se envolve na oficina desde os 14. Antes disso, porém, já fazia parte daquele ambiente, observando a rotina de resolução de desafios automotivos encarados pelo pai, Ricardo Dieterich, e a equipe.

A profissão acabou se tornando uma escolha natural. O contato permanente com a oficina e com o trabalho do pai fez com que Igor desenvolvesse, ainda jovem, o interesse pela mecânica. Hoje, ele afirma não se imaginar fazendo outra coisa.

A sucessão também representa para ele a continuidade de uma história iniciada pelo avô e mantida pelo pai. Por isso, trabalhar ao lado dele tem um significado que ultrapassa a atividade profissional.

O principal ensinamento, segundo Igor, está especialmente em dois valores: honestidade e dedicação. Para ele, o que foi construído pela família é resultado do esforço do pai, que deu continuidade ao trabalho e criou as condições para que a terceira geração pudesse estar hoje na oficina.

“Se não fosse meu pai ter continuado, eu não estaria aqui hoje. Ele se esforçou muito para construir tudo isso”

A relação entre os dois também mudou com o tempo. O pai continua sendo professor, mas Igor já ocupa igualmente o papel de quem ensina. No trabalho diário, os conhecimentos circulam nos dois sentidos.

É uma espécie de sucessão que não termina na transmissão do conhecimento de uma geração para outra. Ela se transforma em parceria. “Ele me ensina e tem coisas que eu ensino para ele”, resume.

Ricardo e o filho Igor (esq.) dão sequência à oficina mecânica iniciada por Ivo Dieterich (in memoriam)

Valores contábeis e valores éticos

Na SD Contabilidade, Luana e Fernanda Eggers também chegaram à profissão por um caminho que, segundo elas, nunca foi imposto pelo pai, Darci Eggers. As duas cresceram acompanhando de perto a rotina do escritório e, desde cedo, tiveram contato com o universo profissional que cercava a família.

Luana conta que acompanhava o pai quando ele precisava resolver questões profissionais presencialmente. A convivência despertou curiosidade e fez com que ela quisesse entender melhor aquele universo. Fernanda também seguiu a mesma trajetória.

A escolha pela contabilidade foi, portanto, sendo construída pela convivência e pelo conhecimento adquirido ao longo dos anos.

Hoje, integrar o escritório com mais de quatro décadas de história representa uma responsabilidade significativa. Existe o peso de preservar uma trajetória construída ao longo de tantos anos, mas também a confiança de que a experiência, a formação e o DNA de contador permitem às filhas seguir adiante.

Entre os ensinamentos deixados por Darci, o que mais se destaca para as filhas não é somente a técnica contábil, mas a maneira de agir.

“Ele sempre foi uma inspiração, principalmente em questões de sempre buscar o que é o mais correto, de sempre tentar ser justo com clientes, com pessoas, com funcionários”, afirma Luana.

Fernanda reforça a lembrança da honestidade, da simplicidade e da integridade como características que aprendeu a valorizar na convivência com o pai.

“Resolver as coisas sem gerar conflito, buscar sempre da melhor forma. É essa questão de integridade, de valores, de poder dormir com a cabeça tranquila”, resume.

Darci atua ao lado das filhas Fernanda (esq.) e Luana, que seguiram a carreira contábil

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