Depois de concluir o IFPLA, como foi sua jornada antes de vir a Teutônia?
Grützmann – Concluí o curso em 1990, depois comecei a trabalhar em Cachoeira do Sul, no Colégio Barão do Rio Branco. Após um ano, decidi vir para a região do Vale Taquari. Eu tinha uma irmã morando em Bom Retiro do Sul e surgiu a oportunidade de trabalhar aqui no Ieceg. Vim como professor substituto de alemão, em 1991.
Por que escolheste Teutônia?
Grützmann – Eu tinha muitas referências. Muitos colegas de Ivoti eram daqui e falavam muito em Teutônia. Quando eu passava de ônibus pela BR-386 eu via a placa indicativa, já sabia da história da emancipação e da construção do Centro Administrativo, então eu sempre tive vontade de conhecer a cidade. Quando surgiu a oportunidade, acabei vindo. Conheci minha esposa, que também é professora e hoje bibliotecária no CNEC/Ieceg. Eu trabalhava na escola pela manhã e à tarde ia de ônibus para Linha Schmidt, hoje Westfália, onde também lecionei alemão até 1997. Em 1999, ingressei no ensino municipal de Teutônia. Logo em 2001, trabalhando na EMEF Professor Teobaldo Closs, fiz pós-graduação em ensino de literatura.
Atuaste na Secretaria Municipal de Educação?
Grützmann – Sim. Depois da pós, trabalhei três anos como coordenador de projetos pedagógicos de informática. Na época tínhamos o Infomóvel, um ônibus de informática equipado que ia para as escolas do interior e para as escolas maiores que ainda não tinham laboratório de informática. Foi um projeto inovador do então secretário Enilton Teixeira Goethel, um divisor de águas, porque foi a introdução de tecnologias que não existiam.
Como chegaste à direção da Theobaldo Closs e quais as principais realizações?
Grützmann – Em 2005, fui trabalhar na EMEF Guilherme Sommer e seguia no Ieceg. Em 2009, surgiu o convite para assumir a direção da EMEF Teobaldo Closs. Foram 11 anos de direção, uma área com a qual me identifiquei muito. Quando eu assumi, a professora Zélia Maria D ́Avila era diretora e a escola estava muito bem estruturada, era uma escola de referência. O primeiro desafio foi construir o ginásio. A gente também implantou um laboratório de informática, a sala de multimeios e a sala da orientação. Mas eu sempre digo que o mais importante na escola não são os prédios, e sim os projetos pedagógicos. ]
Tínhamos a Hora do Conto, o grupo de danças do Departamento de Tradições Gaúchas, o grupo de danças modernas Argos. Os alunos gostavam muito dessas atividades extraclasse que eram oferecidas e até hoje lembram desses momentos. Tínhamos três turnos de atividades, desde a Educação Infantil, dos quatro anos, até a Educação de Jovens e Adultos (EJA), com alunos de 80 anos. A EJA é o maior projeto social que existe, porque é um resgate daquelas pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar e já haviam desistido de tudo. Muitas dessas pessoas aprenderam a ler e escrever, foram evoluindo e hoje são referência na sociedade. Então, é um projeto que realmente traz resultados.
O que consideras fundamental na formação do aluno?
Grützmann – Considero que a leitura é fundamental para o desenvolvimento das pessoas. Posso dizer que o que sou hoje praticamente devo aos meus professores e aos livros que li. Fico muito feliz em ver hoje que a Secretaria de Educação está investindo nessa questão, através do lançamento do livro “Era uma vez… em Teutônia” e da distribuição para as crianças.
As pessoas estão voltando a ler mais. O livro impresso é um antiestresse e hoje, se tem tantas crianças com TDAH e outras dificuldades, isso é em decorrência da falta de leitura. É importante que os pais cuidem, pois o excesso de redes sociais pode trazer malefícios muito grandes para as crianças. Já a leitura é o momento da gente se desligar, de trazer esse alívio, porque ao mesmo tempo em que você se diverte lendo você adquire conhecimento. A leitura é fundamental para ampliar os horizontes, pois você estimula as conexões cerebrais. E esse é o papel da escola: ensinar a pensar. Uma escola que não ensina a pensar não é uma escola.
Analisando a tua caminhada, qual o sentimento após 34 anos dedicados à educação?
Grützmann – Sentimento de gratidão. Quando trabalhamos com educação não podemos pensar no retorno financeiro, mas sim no papel do professor, que é o de transformar vidas. Hoje a gente vê que muitas daquelas pessoas que a gente achava que não dariam em nada se tornaram pessoas relevantes na sociedade. Foi fundamental também aprender com eles, porque ensinar não é só transmitir conhecimento: é principalmente compartilhar ideias, porque quem ensina também aprende. E receber hoje os abraços dos ex-alunos é o mais gratificante. Nesse aspecto, ser professor é uma das profissões que tem o maior retorno. Vejo com muita preocupação a ausência a falta de formação de professores e um país sem educadores é um país que está fadado ao fracasso. Então precisamos realmente de uma política séria de formação e de condições ideais para que o professor possa trabalhar e fazer o seu papel transformador na sociedade.