O escrivão aposentado da Polícia Civil Telmo Paulo Rodrigues de Oliveira completa 81 anos no dia 1º de julho. Natural de São Sebastião do Caí, com uma passagem de 12 anos por Lajeado, foi em Teutônia que ele construiu a maior parte de sua história profissional e pessoal. Foram 36 anos, de 1982 até meados de 2018. Viúvo, com dois filhos, uma filha, um neto e três netas, passa a maior parte do seu tempo no Sítio do Vô Teté, em Linha Harmonia, Teutônia, onde regularmente recebe amigos para confraternizar. Cidadão Teutoniense reconhecido pela Câmara de Vereadores em 2005, nos finais de semana, curte a família em Lajeado. Orgulha-se de seguir participando ativamente dos Cansados, com que joga futsal no inverno e futebol sete no verão, nas segundas e quartas-feiras, na Associação da Água.
Como foi teu trabalho na Polícia Civil?
Telmo Paulo Rodrigues de Oliveira – Trabalhei por mais de 40 anos como Escrivão da Polícia Civil. Antes de entrar para a PC, trabalhei em várias atividades em Porto Alegre. Depois de me formar na Academia da PC e passar no concurso público, em 1970, fui designado para Nova Bréscia e, em seguida, para Lajeado, onde trabalhei por 12 anos. Então, em novembro de 1982, vim para Teutônia, município recém-criado. O prefeito Elton Klepker (in memoriam) queria que a delegacia fosse instalada aqui pra poder contar com o retorno do IPVA. Vim junto com o comissário Luiz Spaldin (in memoriam), que respondia pelo expediente, já que não havia delegado.
Quando chegaste aqui, imaginavas que irias trabalhar por tanto tempo?
Oliveira – A ideia era ficar pouco, mas o tempo foi passando, passando, e eu fui ficando. Já são 44 anos de relação com Teutônia. Claro, faz bastante tempo que me aposentei, mas segui atuando por muito tempo depois disso, até meados de 2018. Logo que me aposentei, em 1993, o novo delegado me chamou e pediu que eu seguisse atuando. Me disse que era investigador e que não entendia nada de delegacia, de registros de ocorrências e me pediu para ajudar. Acertei minha permanência, recebia metade do pagamento pela prefeitura e outra metade pelo Consepro, até ficar somente com o pagamento do Consepro anos depois, quando abri mão do salário do município, uma vez que a legislação exigiu.
E como era o trabalho que realizavas?
Oliveira – Eu fazia todos os atendimentos relativos à minha função de Escrivão, mas também atendia como conciliador. Naquela época não existia a Lei Maria da Penha e eu acabava chamando para conversar muitos casais envolvidos em brigas conjugais. Eu conseguia apaziguar diversas situações, inclusive ajudando muitos jovens que tinham problemas com drogas. Claro, muitos não aceitavam ajuda, daí não tinha o que fazer. Mas para aqueles que aceitavam, a gente conseguiu auxiliar muito.
E qual é o teu sentimento por tanto tempo de trabalho no município?
Oliveira – Eu me sinto realizado com tudo o que fiz. Sempre realizei as coisas com o coração, nunca visei interesse financeiro, interesse político ou qualquer outra coisa. Eu fazia aquilo porque gostava de fazer, me dedicava e pude ajudar muita gente. Tenho o sentimento de dever cumprido. É como se diz: a comunidade de Teutônia me adotou e eu adotei a comunidade de Teutônia. Meus três filhos (Demétrius, Alexsandro e Katiúcia) nasceram em Lajeado, mas cresceram e estudaram boa parte do tempo aqui. Tenho um neto e três netas entre 9 e 20 anos, uma escadinha. Costumo dizer para eles que o “vovô já está sem nenê de novo”. Mas nos reunimos nos domingos para o churrasco, em Lajeado, e na Sexta-Feira Santa, para comer peixe aqui no sítio.
Compraste esta área aqui em Linha Harmonia porque querias ficar ligado aos teus amigos?
Oliveira – Sim. Além dos jogos de futebol nas segundas e quintas, tenho janta todas as quartas-feiras aqui no sítio, com duas turmas diferentes, uma com 10 pessoas e outra com seis. Essa ligação com os meus amigos é a melhor coisa do mundo. Tanto eu quanto eles contamos os dias pra chegar quarta-feira, para nos reunirmos e colocarmos a fofoca em dia.