O governo do Rio Grande do Sul lançou, na quinta-feira,25, o projeto Acolhe RS, voltado ao acolhimento de estudantes migrantes e refugiados nas escolas estaduais. A iniciativa da Secretaria da Educação (Seduc) será implantada inicialmente em formato piloto, em instituições localizadas nas regiões com maior número de alunos estrangeiros.
A cerimônia ocorreu no auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), com a presença de representantes de órgãos públicos, organizações internacionais, gestores, educadores e estudantes. A apresentação do evento foi conduzida pelas alunas venezuelanas Karla Alejandra Viamonte Lezana e Luisciana del Valle Maurera Ruiz, matriculadas em escolas estaduais de Erechim.
O projeto prevê estratégias para reduzir barreiras de acesso, permanência e aprendizagem enfrentadas por estudantes vindos de outros países. Também inclui ações pedagógicas voltadas à integração linguística e sociocultural.
A medida ocorre em meio ao crescimento da presença de migrantes e refugiados na Rede Estadual. Em 2020, havia 2.384 matrículas de estudantes estrangeiros. Em 2026, o número chegou a 8.368. A maior variação foi registrada na região de Erechim, onde a 15ª Coordenadoria Regional de Educação passou de 77 para 1.113 alunos de outros países, alta de 1.402,9%.
Segundo a secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira, a proposta deve ser ampliada futuramente para toda a rede. “Este é um projeto-piloto que queremos expandir para toda a Rede Estadual e que esperamos que possa inspirar outras redes de ensino do país”, afirmou.
O Acolhe RS foi desenvolvido pela Seduc em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Entre os materiais previstos estão o Guia de Acolhimento de Estudantes Migrantes e Refugiados, conteúdos de sensibilização, formação online para profissionais da educação, jogos e recursos didáticos.
Outro eixo do projeto é o curso de Português como Língua de Acolhimento (Plac), com aulas presenciais nas escolas participantes. As turmas serão divididas em três níveis — básico, intermediário e avançado —, cada um com carga horária de 60 horas ao longo de um semestre letivo.
Durante o lançamento, a Seduc e o Acnur assinaram uma carta de intenções para o desenvolvimento de ferramentas de apoio pedagógico. A programação também contou com apresentação do projeto e debate com diretores das primeiras escolas que receberão a iniciativa.
Participaram do painel representantes de instituições de Porto Alegre, Caxias do Sul e Erechim, que relataram experiências e desafios no acolhimento de estudantes migrantes. Ao longo do evento, autoridades destacaram a importância da articulação entre Estado, escolas e entidades parceiras para garantir acesso, permanência e pertencimento aos alunos e suas famílias.